É preciso bater no ceguinho, sim!

Hoje, o PSD-M é um partido vazio, sem matriz ideológica, sem princípios,
sem projeto unificador que faça os militantes acreditarem num futuro risonho

08 Out 2017 / 02:00 H.

No rescaldo das eleições será muito fácil, dirão, atribuir responsabilidades políticas a Miguel Albuquerque do desvairo eleitoral. E, em última análise, sim... ele é o responsável.

Mas julgo ser importante fazer a análise toda porque ele não é o único; para mim isto é muito mais complexo, com uma trama montada para o afastar.

As baterias estão apontadas para Alberto João como principal opositor interno, mas receio que seja muito mais que isso e que os verdadeiros culpados sejam os que o apoiaram e o colocaram no poder para o aniquilarem ‘a posteriori’ definitivamente.

A realidade do poder interno dos partidos é muito mais complexa do que a maior parte das pessoas pensa.

Alberto João Jardim deve ser o único que alguma vez teve mão num partido, de resto é tudo um jogo ilusório.

Quem realmente manda não é quem parece que manda, os jogos de poder, os interesses é que comandam as máquinas, porque na maior parte das vezes os dirigentes foram eleitos porque muitos “favores” foram feitos.

Correndo o risco de parecer paranóica, não tenho problemas em acreditar na teoria da conspiração de alguém que urdiu um plano a longo prazo para chegar ao poder. Inteligentemente, quem queria, sabia que teria de esperar. Miguel Albuquerque era tido como o D. Sebastião do partido, pós Alberto João, e que contra este ninguém teria hipóteses de vencer. A estratégia foi simples, ajudar e colocar MA no poder, assumir posição de poder internamente, prender-lhe as pernas, e ir colocando paulatinamente os peões certos (os controláveis) nos lugares-chave.

Depois foi só esperar e ajudar o atual dirigente a cavar a sua própria sepultura.

Pelo meio meteu-se a Rubina Leal; crescia a sua popularidade dentro do partido. Foi fácil resolver, bastou mandá-la para a missão suicida de perder as eleições na capital madeirense.

Não sei se algum dia irão dar realmente a cara, pois no fundo sabem que não têm votos da população. Talvez só lhes interesse o partido para colocarem um “fantoche” que realmente sirva os seus propósitos, porque a “mama” cada vez é mais escassa e são demasiados “cães ao mesmo osso”.

Hoje, o Partido Social Democrata na Madeira é um partido vazio, sem matriz ideológica, sem princípios, sem projeto unificador que faça os militantes acreditarem num futuro risonho. Sentimos que o barco tem um rombo, que é possível salvá-lo, mas ninguém tem coragem para o fazer e assim vamos afundando lentamente, inexoravelmente, de forma desesperante. Com erro atrás de erro, como se o trabalho de reparação esteja a ser feito a martelo e o rombo vá ficando cada vez maior.

É tão comum ouvirem-se dirigentes a dizer: isto agora é aguentar... levar o que se pode porque o fim está à vista.

Que triste realidade esta e a solução pode ser tão simples: basta voltar à matriz ideológica e afastar, de uma vez por todas, o reinado de uma dinastia que insiste em perdurar internamente, desde os primórdios do PSD, cujos interesses são todos menos o interesse da população. Colocar as pessoas certas nos lugares certos, cujo critério terá de incidir sobre a competência e o valor intrínseco de cada um. Mostrar ao povo madeirense que é possível acreditar, que a região tem futuro e que ainda sabemos lutar pela nossa autonomia e pelos direitos dos madeirenses. Que há igualdade de oportunidades e que todos podemos ter um futuro melhor baseado no trabalho e no afinco pessoal, sem esquecer o respeito pelo próximo. É preciso uma revolução urgente, uma revolução de mentalidades. Não tenham medo, a mudança no PSD é possível sim, seja ela operada por Miguel Albuquerque ou por outro militante que unifique o partido. Mas ela é precisa, e com urgência!

Sara André

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