Deus existe!

O castigo que por vezes se ouve “não estuda, não vai mais ao treino”

11 Jul 2018 / 02:00 H.

Os meninos da Tailândia tomaram conta das atenções televisivas nos últimos dias. O milagre - dirão alguns - deu-se. Na verdade, o que a imprensa noticiou da operação de salvamento obriga-nos, pelo menos moralmente, a fazer a vénia a esta SUPER equipa e à coordenação de uma missão com condicionalismos inatingíveis e incontroláveis pela ação humana.

A sobrevivência destes meninos terá muitas explicações técnicas e/ou científicas e o assunto merece mesmo ser estudado, mas algo pode/deve ser tido em consideração com especial interesse.

Consta que o treinador destes meninos, um jovem com uma experiência como monge budista, manteve a “sua equipa” viva com a meditação.

Este espaço não permite descortinar os ensinamentos do budismo, nem a diferenciação das escolas budistas.

A situação é propícia ao exercício, por qualquer um de nós, de se colocar no lugar de pai / mãe de um destes jovens ou mesmo no lugar de um destes super meninos.

É propícia a exercitar a capacidade que teríamos, mas também a capacidade que os meninos em Portugal – genericamente – teriam, se confrontados com uma situação semelhante, se pensarmos no que recebem do processo educativo no seu percurso escolar.

Claro que as atividades extracurriculares sejam desportivas, sem culturais, reforçam o processo de crescimento e de desenvolvimento. O exemplo concreto do movimento escotista ou escutista ou guidista, sem qualquer dúvida, proporciona muitos ensinamentos.

O castigo que por vezes se ouve “não estuda, não vai mais ao treino”; “não teve boas notas, acabou a atividade X ou Z”; não será uma solução.

Mais do que obrigar um menino no 2.º ano do 1.º ciclo a aprender os triângulos equiláteros, isósceles e escalenos ou a classificar os animais em função do tipo de alimentação e outras mais do género, é preciso fazê-lo crescer e ganhar suporte psicológico e emocional, tão necessário nos dias de hoje.

A sensação que se tem – por vezes - é que a Educação está retida nas reivindicações da classe docente e nos interesses dos governos nos rankings de escolas. As Crianças não são números. Os Professores são parte estruturante do sistema, onde os Alunos também precisariam de ter um “sindicato”. A componente de desenvolvimento pessoal e de formação de personalidade é prioritária, onde naturalmente a “escola” é um parceiro da estrutura familiar nas suas diferentes composições.

Rafaela Fernandes