(Des)amor à Venezuela

Muitos esperam mais do governo português. Mais do que esclarecer os bloqueios ao pernil de porco

11 Jan 2018 / 02:00 H.

ANTÓNIO, filho de portugueses emigrantes na Venezuela onde nasceu e onde construiu a sua vida. Tenta sobreviver num país sem segurança, sem comida, sem medicamentos e sem esperança para a sua família. Um Pai, tal como dezenas de outros Pais, procura entrar em Portugal com os filhos, estudantes em cursos superiores na Venezuela e depara-se com as portas fechadas, porque não há reconhecimento desses cursos nas Universidades Portuguesas.

BÁRBARA, neta de portugueses emigrantes na Venezuela. Jovem portuguesa, tal como milhares de jovens portugueses residentes na Venezuela formou-se com curso superior. Sonha viver em Portugal mas as forças de bloqueio no reconhecimento da sua licenciatura em farmácia impedem-na. Partiu para outro país da América Latina, com a consciência que dificilmente regressará à Venezuela e que em Portugal, não lhe será reconhecida a formação académica para entrar no mercado de trabalho correspondente.

CAROLINA, estudante de direito. Foi obrigada a abandonar a Venezuela por medo face à insegurança, à violência e à escassez de produtos de primeira necessidade. Filha de emigrantes portugueses deixou para trás a formação académica e o sonho de uma carreira na advocacia.

DAVID, arquitecto, neto de emigrantes portugueses. Sobrevive numa Venezuela terrorista onde comprar pão, pode significar ficar sem a sua vida.

ELIZABETH licenciada em direito, foi obrigada a abandonar a Venezuela por medo face à insegurança, à violência e à falta de comida. Filha de emigrantes portugueses deixou para trás parte da sua família e uma carreira promissora.

F, G, H, I, J, L, MANUEL médico prestigiado na Venezuela. Filho de emigrantes portugueses. Não pode trabalhar em Portugal porque a Ordem dos Médicos Portugueses não o reconhece como médico.

N, O, P, R, STEPHANIE estudante no 4.º ano do curso de medicina numa Universidade em Caracas. Teme viver na Venezuela onde nasceu face à violência, à insegurança, ao medo e à falta de comida. Sonha viver em Portugal, terra dos avós, mas as universidades portuguesas não aceitam equivalência do curso. Esta é a realidade para dezenas de estudantes de medicina que não têm hipótese de prosseguir os estudos em Portugal, ficando obrigados a começar do ZERO.

Por sequência do alfabeto poderia narrar a história de tantos e tantos madeirenses forçados a abandonar a Venezuela face à situação catastrófica deste país.

Muitos esperam mais do governo português. Mais do que esclarecer os bloqueios ao pernil de porco, esperam que tome medidas com efeito directo, para solucionar bloqueios que não fazem sentido num país democrático que tem a obrigação de acolher os “seus”.

Rafaela Fernandes
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