Covfefe

27 Set 2017 / 02:00 H.

No rescaldo eleitoral alemão, aponta-se para a erosão dos partidos tradicionais como principal motivo para justificar o crescimento exponencial do partido antissistema e de extrema-direita na Alemanha, AfD. Ninguém nega que há um problema e que muitos cidadãos não se sentem ouvidos nem representados. Mas é importante reconhecer que estes movimentos populistas nada fazem para além de espalhar promessas e medos, criando narrativas políticas que são posteriormente apropriadas pelo cidadão descontente.

Cada ambiente político tem as suas características irrepetíveis. Mas nenhum está imune ao perigo do populismo, particularmente ao fenómeno daqueles que se mascaram com a pele da inocência de cordeiro, para se tornarem mais atrativos ao eleitor.

Vejamos o atual presidente da Câmara Municipal do Funchal que se recandidata por uma coligação. À cabeça aparece o independente, que conta com a muleta política do PS nacional. Depois namorisca com o Bloco, o JPP e restantes. Torna-se impossível de cristalizar claramente um posicionamento ideológico comum desta coligação sobre a nossa comunidade. Não basta repetir a frase oca “pelas pessoas”. Seria mais honesto dizer “pelo poder”, pois é esse o real fio condutor deste poliamor de coligação.

Quem não se lembra do famoso tweet de Donald Trump que deixou o mundo perplexo com a invenção de uma palavra: “Covfefe”? Chegou-se rapidamente à conclusão que se tratava de um erro de escrita.

Por cá também (ainda) temos um Covfefe.

Um Covfefe que se esconde do debate político em pé de igualdade com outros candidatos. Seja no âmbito de associações de moradores, seja na comunicação social quando foi o único ausente de um debate entre os candidatos à CMF.

Um Covfefe que promoveu a abrupta descida do Funchal no ranking da transparência no índice nacional, o que constitui um aumento da opacidade democrática na gestão pública da cidade.

Um Covfefe que vende a reabilitação urbana como prioridade, mas ninguém sabe quantas casas efetivamente reabilitou durante o seu mandato porque propositadamente confunde valores de isenções fiscais com verdadeiro investimento na reabilitação urbana.

Um Covfefe que desrespeita os trabalhos e o mandato democrático da Assembleia Municipal, não se dignando estar presente na reunião desta semana, nem enviando a sua vice-presidente para o representar, conforme impõe a lei.

Depois de algumas horas o confuso tweet de Trump foi apagado. Uma correção que também estará ao nosso alcance no dia 1 de outubro.

Rubina Berardo

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