Confiança

15 Fev 2018 / 02:00 H.

Oiço amiúde que, para a Economia, importa muito o parâmetro da confiança. Porque, dizem os entendidos, estimula o investimento, fomenta o consumo, faz circular massa monetária.

Oiço, é verdade mas não percebo e só não me atrevo a questionar para não parecer (ainda) mais ignorante em face de tão doutas opiniões, expressas sempre com enorme, cá está, confiança... E não percebo sobretudo porque acho que faz mal à poupança (que hoje não existe) e porque, se baseada nos pressupostos errados, do tipo discurso de um político inconsciente, perdão, optimista, a dita leva a tomadas de decisão erradas.

Veja-se o que se passa com o nosso Turismo. Muito resumidamente, para não gastar aqui os poucos caracteres que me são concedidos, temos de repente a falência de três grandes companhias aéreas, oriundas dos nossos dois principais mercados.

Mais, já neste Inverno, o Egipto (um daqueles destinos turísticos em crise) fica em termos de número de frequência semanais a dois voos do melhor Inverno de sempre. A Thomas Cook e, aparentemente a TUI, começam a reduzir a capacidade aérea para Espanha (Portugal virá a seguir...).

A Turquia dá sinais de retoma fortes e seguros, investindo fortemente (não é com cachos de banana ou com o seu equivalente monetário ainda por cima em redução que eles fazem as coisas, por aquelas bandas) em promoção do destino e re-captação de fluxos aéreos. Chipre, Tunísia e Marrocos; todos apresentam os primeiros sinais de crescimento depois de um período difícil.

E nós, por cá? De tanto ouvirmos falar da galinha e dos seus ovos de ouro e numa conjuntura tão boa como dizem que é a que vivemos, estamos a investir e a pedir dinheiro emprestado para o fazer na construção de novas camas e na reconversão de apartamentos para alojamento de curta duração.

Portanto, reduzem os voos, a concorrência aparenta estar mais saudável e também ela aumenta, com novos destinos a provarem ser cada vez mais populares (veja-se, a título de exemplo, o caso da Croácia). Logo, diminuirá seguramente a procura, não havendo confiança que nos valha. Ao mesmo tempo, aumenta a oferta, com mais de uma dezena de novos hotéis, fora as tais unidades de alojamento local que já mencionei mas que não consigo contabilizar.

O problema é que se esta nova oferta trouxesse algo de novo, de distintivo, de inovador, estaríamos em condições de provavelmente dar mais um salto. Mas não! Basta reparar, se por acaso ainda não o tinham feito, naquela nova unidade que começou a aparecer, agora que o antigo Santa Isabel veio abaixo...

Menos procura e mais oferta dá o quê? Não interessa; haja confiança!

André Barreto

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