Conciliar a atividade profissional com a vida familiar

Esta é uma temática que tem, nos últimos anos, chamado a atenção e merecido o estudo académico de muitos autores

02 Dez 2017 / 02:00 H.

Conciliar a atividade profissional com a vida familiar e individual na sociedade atual continua a ser uma necessidade e um desafio.

Entendida a conciliação como um processo através do qual se pretende pacificar, harmonizar as partes envolvidas num diferendo, o objetivo é levar as frações que se opõem ou que se apresentam de forma distinta, a chegar a um entendimento ou a um acordo sobre determinada, ou determinadas matérias, com vista á solução da diferença, do desequilíbrio ou da discórdia.

Neste contexto a conciliação ocorre em diferentes situações e para diversas matérias, no âmbito laboral, a maioria dos trabalhadores confronta-se com dificuldades no equilíbrio entre a atividade profissional a vida familiar e individual, originando conflitualidade e podendo levar a sentimentos de inadequação, frustração e desmotivação.

Numa sociedade, caracterizada pela diversidade de temperamentos, ambições, experiências e percursos profissionais e sociais, criam-se situações que transportam para a vivência profissional e individual do trabalhador exigências que têm originado uma progressiva desarmonização entre a vida privada, profissional e individual com repercussões no delicado equilíbrio e na necessária harmonia com a vida familiar. Esta é uma temática que atendendo aos impactos laborais, sociais e familiares, tem nos últimos anos chamado a atenção e merecido o estudo académico de muitos autores.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, ainda há muito a fazer na conciliação entre a atividade profissional a vida familiar e pessoal do trabalhador, para alcançar a paridade de género no mundo do trabalho, segundo esta organização a igualdade pode ser vista por três ângulos complementares, é um tema de direitos humanos e faz parte das condições essenciais para atingir uma democracia efetiva, é um tema de justiça social e diminuição da pobreza, na medida em que é condição para ampliar as oportunidades de acesso a um trabalho decente, é um tema de desenvolvimento social e económico, na medida em que promove a participação das mulheres na atividade económica e na tomada de decisões relativas à formulação de políticas de desenvolvimento que respondam adequadamente aos objetivos da igualdade.

Os profissionais de saúde não são exceção, entre eles evidenciam-se os enfermeiros, cuja profissão pela sua natureza e particularidades de exercício profissional levam a que a ausência de conciliação seja sentida de forma particular e mais acentuada.

A enfermagem, está reconhecidamente exposta a vários constrangimentos na relação entre a vida privada e a vida profissional.

A necessidade de funcionamento ininterrupto
de muitas serviços de saúde implica a existência
de horários por turnos e a realização de horas extras, o quotidiano de muitos enfermeiros tem-se caracterizado por precaridade laboral, sobrecarga de trabalho, contato direto e constante com situações de grande stress, exposição a situações de risco e de sofrimento do outro, originando desgaste físico, psíquico e emocional, situações que afetam a harmonia da vida familiar e social dos enfermeiros.

Juan Carvalho

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