Cogumelos Airways

08 Ago 2017 / 02:00 H.

Desde a semana passada que me apercebi que era a única pessoa em Portugal que não percebia patavina de aviões. Confesso que, nesta matéria, não posso opinar, até porque os anos que dediquei ao jornalismo e muitos deles à área da aviação, não me deram certezas de nada e deixaram-me com a mesma ignorância no dia que escrevi a primeira peça sobre aviões e no dia que assinei o último artigo. O caso da avioneta da Costa da Caparica fez saltar por todo o lado os especialistas que percebiam de aviões, de aterragens, de amaragens e até de aragens. Na televisão e nas redes sociais cresciam comentadores como cogumelos, tantos que dava para encher os aviões que nos últimos dias fizeram tanta falta. Enfim... Agora nós: apesar de não ter aprendido nada sobre aviação, guardei a agenda e falei com três ou quatro daqueles velhos nomes da altura em que os telemóveis ainda começaram por 09. Percebi, com os mais antigos, que os limites do Aeroporto da Madeira foram feitos pela Boeing para a TAP começar a operar com o modelo 727. E que foram ligeiramente ajustados quando a pista cresceu em 2000 e pouco depois foi feito reajuste ao ajuste, quando apareceu a famosa bolha que não nos largou da mão durante anos. Mas também me sopraram, não os ventos, mas as vozes da experiência de muitos anos acumulados, que talvez seja melhor deixarmos de ter comentadores de televisão e assumirmos de uma vez que no caso da “safety”, que não é o mesmo que “security”, se deve fazer, de uma vez por todas, um estudo aprofundado sobre os tais ventos e o fenómeno de “windshear”, que é um pesadelo para os pilotos. Uma corrente descendente que normalmente acontece na cabeceira da pista do lado de Santa Cruz que pode fazer com que o avião seja empurrado para baixo. Também me foi dito, pelos tais que andaram e andam aqui sem roupa de cogumelos, mas galões das companhias para as quais operam, que já abortaram aterragens dentro dos limites por achar que não tinham condições para colocar o avião no chão. Curiosa foi a comparação feita por um deles: os ventos não mudaram de forma significativa, o que mudou foi a frequência com que operam aviões na Madeira. Antigamente, quando os movimentos eram de cinco ou seis voos por dia, a tal corrente descendente estava lá, não estavam era as companhias. Até podia acontecer em horas em que não havia operações e não se dava por ela. Registei. Da mesma forma que registei as palavras do secretário regional do Turismo, que ontem disse que a ANA-Aeroportos fez, na semana passada, um pedido de informação sobre a orografia da zona do aeroporto, a pedido da ANAC, que para quem não sabe é a Autoridade Nacional de Aviação Civil. Perguntei aos pilotos se não era suposto a dita autoridade saber os limites... fiquei sem resposta, porque ninguém parece saber bem o papel da dita. Mas se calhar os cogumelos sabem...

Cristina Costa e Silva
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