Caça ao Outubro Vermelho

06 Set 2017 / 02:00 H.

Não sei se vai ser vermelho, mas o dia 1 vai deixar muita gente vermelhinha de raiva. O enredo do famoso livro “Caça ao Outubro Vermelho” até vem bem a propósito: os últimos anos da Guerra Fria, um capitão de um submarino que quer desertar para os EUA com os seus oficiais levando consigo o mais avançado navio da marinha soviética. Mas as coincidências entre a obra e o que se passa aqui perto, não ficam só na quantidade de gente que quer dar à sola. Vão ainda mais longe. Um agente da CIA é o único a perceber o objetivo do capitão desertor e grita aos quatro ventos a sua teoria antes que as duas marinhas (a russa e a americana), percam o controlo e a guerra passe de fria a escaldante.

O Funchal vai ter o seu Outubro Vermelho se a campanha não acaba depressa. Mas desengane-se quem pensa que Leal e Cafôfo são a semelhança que se pretende aqui fazer entre a política e o livro. Nada disso. Deixo-os quietos no seu canto.

Aqui, o tal capitão da CIA, nesta história caseira, passa as tardes no cimo da Rua do Quebra-Costas a rir dos desertores, até lhes dá a chave do submarino que ele próprio mandou construir com tecnologia de ponta e que ainda não tinha servido para nada. Do alto da rua, onde já ninguém bate à porta, porque já não precisam dele, o homem fuma o charuto pacificamente, enquanto, qual diabinho de tridente empunhado, vai se deliciando com a guerra que se instalou dentro do seu partido. De resto, calculo que tem lido ultimamente que cá por baixo, na cidade, porque os seus marinheiros apanharam o sol de verão e em alguns casos foi fatal. Há uns que não se lembram de o ter conhecido, outros que dizem que nunca concordaram com a sua política, outros que, imagine-se, juram de dedos cruzados sobre os lábios onde dão beijos de Judas, que avisaram tantas vezes o homem que um dia o gelo da guerra fria ia derreter. Mas está tudo a arder, senhor. E a fazer das redes sociais a sua arma de arremesso para esta guerra psicológica que nos delicia a todos pela manhã.

Mas, caro senhor do Quebra-Costas, tenho uma pergunta para si. Como jovem que um dia quis ir para a Marinha, sabe que os submarinos metem água. Agora, gostava mesmo era que me explicasse uma coisa, no fundo, que me matasse a curiosidade: nunca lhes disse que isso acontecia e que o diacho da embarcação pode desaparecer nas águas deste Outubro? É que a cada dia que passa só consigo imaginá-lo com o seu tridente a fazer furinhos no casco para ele se afundar mais depressa... não precisa, eles dão conta disso sozinhos!

Cristina Costa e Silva
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