Bom Caminho

03 Set 2017 / 02:00 H.

“Você sabe onde é que se está a meter?” – perguntava-me um dirigente da CMF em Maio de 2014, no dia em que conhecia os cantos à casa. Nunca compreendi se a retórica implícita na questão carregava um genuíno interesse pelo meu bem-estar ou a subtileza de uma intimidação velada, mas a realidade é que sempre que entramos pela primeira vez numa casa nunca sabemos quais os problemas e as dificuldades que nela encontraremos. Hoje, em final de mandato, reconheço que não imaginava que o palácio do Conde Carvalhal, actuais Paços do Concelho, encerrasse tantos enigmas e mistérios, quiçá resquícios de anos de subalternização a paternidades financeiras e procrastinação de decisões difíceis.

O quotidiano de um autarca de uma grande cidade emancipada como o Funchal, pauta-se por uma azáfama constante, numa agenda manifestamente sobrelotada com assuntos que oscilam entre a simplicidade de um parecer prévio para o alinhamento de direcção de uma viatura e a complexidade da abertura de um concurso público internacional para uma ETAR. Entre estas actividades contam-se uma miríade de acções, estudos e trabalhos que nunca chegam a ganhar notoriedade pública, mas que são essenciais para o vital funcionamento da cidade.

Em jeito de balanço, recordo apenas algumas iniciativas deste mandato das quais me orgulho de ter contribuído. A assinatura do primeiro Acordo Colectivo de Trabalho que veio permitir a reposição das 35 horas semanais, bem como a inédita contratação de serviços de segurança e saúde no trabalho para todos os funcionários municipais. A redução fiscal sem precedentes na história do Município do Funchal, consubstanciada, pela descida da taxa de IMI para o seu mínimo e pela devolução de 30% da participação municipal no IRS e, concomitantemente, reduzindo dívida, pagando a fornecedores e retomando investimento. Sem magias. Usando tão somente o rigor, a legalidade e a honestidade, como instrumentos de trabalho.

Verdade também seja dita que, neste mandato, várias coisas não foram feitas, rompendo com tradições vigentes de má memória. A título de exemplo não foram censuradas as vozes aos partidos da oposição em cerimónias oficiais, nem foram atribuídos apoios de forma arbitrária sem regulamentos. Não está tudo feito, mas o que era genuinamente possível. É um trabalho que nos orgulha, sério e consciente, e que, não tenho dúvidas, ao fim de 4 anos fez a diferença.

Faço parte um grupo incansável de pessoas humildes e trabalhadoras, comprometidas com um projecto sólido para o desenvolvimento integral do concelho. Uma equipa eclética constituída por profissionais que se têm dedicado, nesta passagem pela vida pública, de forma simples e desempoeirada e sem apetências por carreirismo. Vivemos o Município do Funchal e construímos uma cidade alicerçada no seu potencial e procurando mitigar as suas fragilidades, sem nunca ter virado a cara ao que era o certo, mesmo que significasse tomar o caminho mais difícil. Um especial reconhecimento a todo este corpo de profissionais pelo empenho e dedicação ao município, apesar de muitas vezes injustiçados por malévolas críticas ao profissionalismo do seu trabalho proferidas por alguns políticos que hoje mordem a mão que ontem os alimentou.

Percorrida esta etapa do caminho, responderia afirmativamente à questão que me colocaram à partida. Sei onde estou metido, gosto do que faço e gostaria de ter a confiança dos funchalenses para continuar a fazer o meu melhor. Lembrando Pessoa, diria também que “nunca ninguém se perdeu, tudo é verdade e caminho”.

Assim, entrando em contagem decrescente para o acto eleitoral onde cada funchalense será chamado a escolher o que deseja para o futuro do seu concelho, é caso para perguntar, com genuíno interesse pelo seu bem-estar: “E você, já sabe onde é que se vai meter?”

Miguel Silva Gouveia Vereador da CMF
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