Haja Bom Senso, os Reformados da PSP merecem o nosso respeito

11 Dez 2016 / 02:00 H.

Como seria de esperar, na aproximação ao final do ano, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) renova o seu posicionamento com os seus sócios que tem como foco a satisfação dos profissionais de polícia.

Para isso implementamos nos últimos meses, um conjunto de reivindicações na Direção Nacional da PSP (DN/PSP) e no Ministério de Administração Interna (MAI), começando pelos concursos de promoção, pelos créditos horários/descanso compensatório, passando pelo escalamento para formação dos polícias/horário, pelo orçamento de Estado para 2017 e acabando nas reformas/aposentação.

Ainda que não hajam certezas e não esquecendo o contexto sócio-ecónomico atual, interessa perceber sobretudo, quem tem responsabilidades administrativas e governamentais, para ver o que acontece por exemplo com as pensões de reforma, nomeadamente as pensões de reforma “normais” dos polícias e não às de valor elevado.

Porque talvez, para pena de quem pretende cortar mais onde já não é possível, por motivos de justiça, equidade, segurança jurídica e de respeito pelos Direitos Fundamentais, os pensionistas da PSP não se resumem a meros números para moldar, de acordo com as conveniências estatísticas e não nos podemos esquecer, que esses mesmos elementos, por serem cada vez menos, devido ao abrandado recrutamento de novos agentes e que por consequência, não são visíveis nas estatísticas, têm como vítimas PESSOAS.

Para que não hajam meias palavras, além do tremendo impacto que tem na qualidade de vida destes nossos concidadãos, de plenos direitos como quaisquer outros, que vivam onde quer que seja – contribuíram também para a segurança do nosso país, enquanto polícias no ativo.

Aliás, esta classe (geração) merece o respeito de todos nós, além de ter de gerir as suas próprias despesas está a ser, muitas vezes, o suporte das gerações mais novas contagiadas pelo desemprego.

Desde logo e, por um lado, a imoralidade e a injustiça, por outro creio que estamos a deixar crescer um “monstro” para este grupo de policiais aposentados, já penalizados, quando descontaram ao longo de toda a vida profissional.

Dir-me-ão que os polícias numa altura de crise como a que estamos a viver também têm que descontar nos seus ordenados e nas suas pensões? Sim, é verdade. Mas não é menos verdade que uma profissão como a nossa não é considerada profissão de risco e de desgaste rápido e que seja equiparada a outras profissões ditas normais.

Lá está a diferença entre o mundo virtual e o país real que temos. É necessário que todos nós tenhamos a noção que gestos singelos do nosso dia-a-dia são essenciais, reafirmo que os nossos polícias aposentados passam por dificuldades, especialmente na falta de assistência na doença e tantos outros exemplos do real caos em que se encontra esta digna classe que serviu o país, poderiam ser dados.

Por último, acho piada quando a nossa Assembleia Nacional legisla sobre as polícias. A Casa que devia ser o baluarte no pensamento do legislador. Não se compreende que em pleno século XXI em vez de limarem as disparidades, cada vez dificultem mais o contacto entre a administração e as polícias e se negue – qual o cego que não quer ver – o que está acontecer aos aposentados do nosso país e neste caso concreto aos da PSP.

Fugindo um pouco ao tema deste comentário, mas porque a atualidade e justiça assim o exigem, um agradecimento ao nosso saudoso sócio e Agente Principal da PSP – RUI JOSÉ OLIVEIRA ESCÓRCIO, que faleceu recentemente por doença, causou à família policial uma incredibilidade e consternação. Daí esta profunda e sincera homenagem a um grande SER HUMANO e um GRANDIOSO POLÍCIA. Obrigado RUI.

Adelino Camacho