Bem-vindo ao Aeroporto Internacional “Feiticeiro da Calheta”

Seria mais barato colocar um navio à espera numa das ilhas para levar passageiros para a outra do que fazer um aeroporto na “Sheep Flat Surface”?.

07 Fev 2018 / 02:00 H.

Eu que, coitada, não percebo nada de aviões, a não ser na ótica do utilizador, não vejo a hora de fazer uma rasante ao farol mais alto de Portugal, o da Ponta do Pargo, para aterrar no Aeroporto Internacional “Feiticeiro da Calheta”. Acho que todos os madeirenses aspiram a um momento desses na vida, sobrevoar a reta do Paúl da Serra e descobrir que é apenas o enfiamento para a pista mais concorrida do Atlântico norte, a tal do aeroporto alternativo para a Madeira. Nada mais, nada menos, que o melhor destino insular do ano.

Já vejo o futuro, a freguesia da Fajã da Ovelha e o sítio da Ribeira da Vaca, na Ponta do Pargo, a figurarem nos mapas internacionais. As assistentes de bordo da Emirates e da British Airways a dizerem que estamos a sobrevoar a “Cow Brook” (Ribeira da Vaca), na freguesia de “Snapper Tip” (Ponta do Pargo).

Aquela máxima de que, uma coisa é uma coisa e outra coisa, é outra coisa que cabe aqui que nem ginjas. Se por um lado, os dirigentes do Aeroclube da Madeira perseguem desde há muito a materialização de um aeródromo, por outro, há uns geógrafos que deviam ser perseguidos por psiquiatras, tantas são as papaias que mandam a ver se alguém lhes passa cartão.

Alguém que não precise de medicação urgente acha que precisamos de um aeroporto alternativo, tendo o Porto Santo as características que tem para acolher os voos desviados? E que seria mais barato colocar um navio de transporte de passageiros à espera numa das ilhas para os levar para a outra do que fazer um aeroporto na “Sheep Flat Surface” (Fajã da Ovelha)?.

Confesso que o nome até seria pomposo, não fosse o ridículo da situação em que se coloca todo um concelho e uma região. Ainda bem que estas alarvidades saem de gente a quem, em bom madeirense, ninguém liga. De uma vez por todas, é legítimo que se equacione o aeródromo na freguesia do concelho da Calheta, mas para aeronaves de pequena dimensão, como as operadas pelo Aeroclube. Mas ver um A330 a aterrar naquela ruralidade pode até vir a ser uma nova atração turística: vacas a fugir, ovelhas projetadas para o Paúl do Mar ou, pior, a serem sugadas por um reator e ver o Farol da Ponta do Pargo, aproveitado para Torre de Controlo do Aeroporto Internacional “Feiticeiro da Calheta”, seria um ex-libris a figurar nos mais renomados cartazes turísticos mundiais.

Quando esses entendidos, baseados nos seus próprios estudos, descobrirem que a Madeira ainda vende pelas suas caraterísticas de ruralidade e que são a paz e o sossego que nos valem, podem então fazer as malas e rumar a Tenerife. Sempre tem dois aeroportos... mas recebeu 5,7 milhões de passageiros em 2017. É isso que queremos para a Madeira?

Cristina Costa e Silva Final