Aquele abraço!

08 Out 2017 / 02:00 H.

Foi já no século passado, em 1989, que Paulo Martins, histórico dirigente da UDP, e depois do BE, encetou uma verdadeira odisseia na tentativa de juntar forças à Esquerda que possibilitasse implementar programas políticos virados para as necessidades das pessoas. Dizia o Paulo que essas convergências seriam mais realizáveis nas eleições autárquicas, por serem as eleições onde os eleitos estão mais próximos dos eleitores e, por isso, sentem melhor as suas dificuldades. Paulo Martins empenhou-se para que, já em 1989, fosse possível essa convergência que pudesse almejar ganhar a Câmara do Funchal, o mais importante reduto do Jardinismo. Não foi possível. O PS preferiu juntar-se à Direita e, nessa altura, a coligação PS-CDS não conseguiu destronar o PSD. Mais tarde, em 2001, igual tentativa foi levada a cabo, sempre com o Paulo a ser o obreiro de tais movimentações. Após várias peripécias o PS voltou a juntar-se ao CDS e, a repetida coligação PS-CDS voltou a não vencer o Funchal. Depois disso, o Paulo Martins ainda tentou dinamizar o denominado Fórum Democrático das Esquerdas, enquanto pólo aglutinador de discussão à Esquerda, que pensasse as soluções para a Madeira a médio prazo numa perspetiva de responder de forma mais eficaz aos problemas das pessoas. Novamente, por falta de vontade de terceiros em convergir, essa ideia ficou pelo caminho. Quando, em 2013 verificou-se uma abertura do PS, nunca antes vistas, que podia viabilizar tal projeto, o Paulo Martins ligou-me imediatamente e, ele próprio, soprou-me ao ouvido o nome de Paulo Cafôfo, nome que de imediato propus ao então líder do PS, Victor Freitas. Após algumas consultas a outras pessoas, o líder do PS foi nosso porta-voz e informou a opinião pública que vários partidos abdicavam dos seus interesses partidários e colocavam o interesse da população em primeiro lugar. Lançámos a candidatura aos órgãos autárquicos do Funchal, no dia 25 de Abril de 2013, naquela que foi a última aparição pública do Paulo Martins. Naquele abraço sentido que o Paulo Martins deu ao Paulo Cafôfo, nesse dia, senti que o esforço de uma vida de Luta encontrava ali a maior das realizações. Fomos a eleições e ganhamos a Câmara, tendo o Paulo Martins exigido ir votar, de maca, numa altura em que se encontrava hospitalizado e debilitado. Quatro anos depois, agora em 2017, não podíamos atraiçoar o sonho do Paulo que tanto lutou por esta conquista, e voltamos a dar o nosso contributo para a enorme vitória da coligação Confiança, que voltou a colocar nos órgãos de poder autárquico do Funchal gente que vai continuar a olhar pelas pessoas. Mas foi naquele abraço, no abraço dos Paulos que eu sinto que tudo, verdadeiramente, começou. Obrigado a ambos!

Roberto Almada

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