Aeroporto da Madeira, um novo elefante branco?

18 Mai 2018 / 02:00 H.

Até 8 de Julho de 1964, data da inauguração do aeroporto da madeira, as ligações entre a região e o continente português, faziam-se por via marítima. A pista tinha então 1600 metros de extensão, mas mesmo sendo de pequena, para uma ilha que ainda não tinha uma pista aérea, era obra. Passam-se entretanto 8 anos e chegados ao ano de 1972, conclui-se que a “minúscula” pista não dava vazão ao fluxo de turistas que nos visitavam e começa a ser ponderada uma ampliação no sentido de poder receber voos intercontinentais. O projecto avançou e no ano seguinte foi inaugurado um novo terminal com capacidade para receber o número mágico (para a época) de 500 mil passageiros por ano. Mais tarde, no período compreendido entre 1982 e 1986 já passados uns anos do fatídico acidente ocorrido na noite de 19 de novembro de 1977, onde um avião da TAP, oriundo de Lisboa, com 164 pessoas a bordo, se despenhou no fim da cabeceira 06 da pista do então denominado Aeroporto de Santa Catarina, ceifando a vida a 131 pessoas, a pista foi aumentada para 1800 metros. A sua inauguração teve lugar a 1 de fevereiro de 1986. Até aqui, os ventos descendentes e ascendentes que esporadicamente faziam das suas, impedindo ou dificultando as aterragens, não eram ainda motivo de grande preocupação, embora, presumo, que esta última ampliação tenha decorrido da inquietude provocada pelo referido acidente. Mas o foco era mais o comprimento da pista do que propriamente as condições climatéricas a que a mesma estava sujeita derivado à sua localização, embora não possamos dissociar uma da outra. Chegamos a 15 de Setembro do ano de 2000 e é inaugurada a nova extensão da pista para um comprimento de 2781 metros. Agora sim, tínhamos aeroporto capaz de receber qualquer avião e se todos os especialistas envolvidos no arrojado projecto de ampliação não colocaram qualquer obstáculo a esta última grande intervenção, mesmo envolvendo o enorme esforço financeiro que envolveu, é porque não havia quaisquer dúvidas em todas as suas componentes, quanto à sua concretização. Pelos vistos, nem mesmo a sua localização. No entanto, o que hoje se verifica é que em termos de operacionalidade, o aeroporto é a imagem de uma região onde quem se dirige ao aeroporto para viajar, é muito provável que não o consiga, ou se o conseguir, tem de primeiro passar pelos incómodos que vemos repetidamente nas imagens que as estações televisivas emitem e que resultam do facto da infra-estrutura aeroportuária estar encerrada ou estar condicionada por condições meteorológicas adversas, situação que até aqui apenas ocorria esporadicamente no inverno e na actualidade ocorre em qualquer altura do ano. A razão no entanto, é simples e é apenas uma: Deriva do facto do aeroporto estar instalado no local onde está, onde a confluência de ventos é inevitável, situação agravada pelas alterações climáticas, como dirá também o senso comum. Ponto! E desculpar-me-ão os pilotos da aviação comercial, por quem tenho respeito e admiração, mas deixar a decisão de aterrar ou não, apenas ao livre arbítrio de quem está no comando do avião, sem que nenhuma informação obtida, com meios tecnologicamente comprovados, lhe seja prestada, parece-me arriscado. E afirmar como justificação, entre outras, “que a última coisa que um piloto quer é despenhar a aeronave”, por favor, evitem-na, é que é ofensiva para aqueles que raciocinam, tal é a indigência argumentativa na análise do assunto. Depois, do que tenho lido, nos acidentes de aviação civil, a percentagem de erro humano atinge valores que nos devem causar preocupação e não é por acaso que os fabricantes de aviões tentam minimizar a intervenção dos pilotos nas operações, circunstâncias que nos devem levar a ser muito prudentes quando decidimos alterar limites impostos para aterragens ou qualquer outra situação. A segurança implanta-se por excesso e não por defeito. Urgente e de enorme pertinência, é a implementação imediata de alternativas, as quais podem passar por utilizar o aeroporto do Porto Santo complementado com uma ligação marítima rápida ao Funchal e claro, embora noutra perspectiva, a ligação marítima por ferry da Madeira ao continente português, operação esta que constitucionalmente o governo da república está obrigado a custear. O que não se pode fazer, é deixar de pressionar firmemente as entidades nacionais para a importância deste assunto, seja no domínio do legítimo direito à mobilidade pelos residentes na Madeira, seja na enorme importância que o aeroporto da Madeira, única porta de entrada na região para passageiros, tem na economia da Madeira.

Fernando Rodrigues
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