Acordo na Hotelaria?

12 Jan 2018 / 02:00 H.

Por uma vez, vou mesmo queixar-me a sério da falta de caracteres pois tenho tanto para dizer sobre o tema título deste escrito que nem metade conseguirei abordar.

Começo pela questão maior: - a quem interessou chegar a um acordo que, a julgar pelas intervenções dos seus intervenientes principais, não agrada a ninguém e com o qual ninguém concorda?

Pois eu, que em consciência e no local próprio votei contra o dito, julgando saber a resposta, não a compreendo.

Numa altura em que se sabe que as empresas não terão recursos humanos disponíveis em número suficiente (e não, não me esqueci da palavra qualificados...) para este aumento do número de camas que aí vem, com a dinâmica do mercado a “forçar” o justo prémio aos profissionais da hotelaria sem que ninguém esperasse regulação ou intermediação de terceiros, para quê esta pressa quando o que estava em causa era a legalidade de uma Portaria de Extensão do tempo da outra senhora (salvo seja e com todo o respeito pelo Senhor), que aliás os Tribunais se preparavam para analisar?

A treta da paz social feita com dinheiro dos outros e este medinho do barulho que meia dúzia de políticos disfarçados de representantes sindicais podem provocar não cola e não pode, sobretudo, justificar aquilo que se fez.

O pior disto é constatar que os grandes males de que enfermava o antigo Contrato continuam lá todos e, em alguns casos, ainda pioram, nomeadamente aquele transportar da lógica do funcionalismo público de que a antiguidade é um posto.

Depois, temos ainda a introdução do princípio do colaborador de 1ª e o de 2ª, conforme a data de integração da pessoa na empresa. Ai de quem queira mexer no que existe! Sobretudo, garante-se com isto a protecção dos maus trabalhadores, que podem assim continuar a ser maus. E ainda são promovidos.

Não concordo com a extinção dos quadros de densidade, que de alguma forma garantiam um determinado nível de qualidade de serviço; a história da mudança dos dias de folga é um disparate do tamanho do mundo, que serve para manter a lógica de que, em hotelaria, existem fins-de-semana; nas categorias não se mexe; na marcação de férias já começaram os problemas...

Enfim, um desastre votado favoravelmente por uma larguíssima maioria dos meus colegas, convencidos pelos euros que no imediato conseguirão em teoria poupar. Que os Sindicatos também validaram. E que o Governo Regional deve ter agradecido. Parabéns!

André Barreto

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