A taxa que não é turística

A cidade nunca andou tão desprezada como agora, descuidada na generalidade dos meses e só aprumada, aqui ou ali, quando algum momento especial se aproxima

13 Mai 2018 / 02:00 H.

Apassividade com que se assistiu ao aclamar da introdução de mais um encargo sobre o sector do turismo, o principal da economia regional, leva-nos a considerar que o mesmo é bem aceite pelos respetivos empresários que, se revendo naquele, através da sua Câmara de Comércio, apadrinham a ideia da autarquia funchalense.

O tema não é novo, não é exclusivo deste destino nem só agora foi pensado.

Compreende-se a oportunidade da autarquia, face à não existência de uma verdadeira taxa turística regional, olhando para os números que dali resultam que são, para quem nada investe no turismo, puro lucro no bolso.

Nas primeiras afirmações públicas, a propósito desta decisão, o responsável pela autarquia referiu que reforçaria, por esta via, o investimento na reabilitação urbana.

Não é necessário esperar por mais. Ficou claro que a dita taxa não é encarada como turística, mas sim como a taxação da atividade turística para outros fins, contrariando, na lei e no princípio, a sua própria existência.

A ansia de receita para fins que nada têm a ver com o turismo, onerando este setor é mais um erro, num conjunto alargado de tantos outros que coincidem com todas as iniciativas tentadas pela Câmara do Funchal para este setor.

Já nos habituamos ao desmazelo com que a Câmara trata a cidade, sem entender a importância dos pormenores para quem aqui vive e para quem nos visita. A cidade nunca andou tão desprezada como agora, descuidada na generalidade dos meses e só aprumada, aqui ou ali, quando algum momento especial se aproxima.

As experiências do posto de turismo na Avenida do Mar e do cartão turístico revelam bem o desnorte desta governação em matéria de turismo. Se por um lado, a inestética barraca de vidro ali instalada, tão notada por quem nos visita, caracteriza a diferença do bem receber que habituamos os visitantes, já o prejuízo acumulado, de largas dezenas de milhares de euros, com o falhanço do cartão turístico, prova bem que a descoordenação das ações, em matéria de turismo, paga-se caro e chega, inevitavelmente, ao bolso de todos os funchalenses.

Uma atuação isolada e indiferente à promoção da Madeira no seu todo, proporcionou os fiascos que conhecemos de inúmeras iniciativas que procurando, a autarquia, sobrepô-las os eventos institucionais promovidos pelo Turismo, resultou num desperdício de meios, no espatifar de dinheiro e no retorno de zero para a cidade e, ainda menos, para toda a Região.

É neste panorama que vemos a autarquia do Funchal lançar mão a mais de 5,5 milhões de euros, por ano, que muita falta fazem à promoção turística de todos o destino, e que permitirá aprofundar uma política altamente maléfica para a Região, ao privilegiar a descoordenação total das medidas de promoção, o que lançará, sem remédio, a confusão nos mercados emissores e que servirá para tudo, menos para fortalecer o setor em causa.

Esta decisão mostra bem a ignorância face a todo o processo de consolidação e concentração da promoção numa só entidade, vencendo medos e receios há muito alimentados, mas conquistando a eficiência e a eficácia que nunca tinham sido prática nesta terra. Esquecer a importância da existência de uma única entidade responsável pela promoção é uma fatalidade que nos custará, a todos, muito mais do que a receita que a Câmara terá para encher o ego de quem dela se serve para alimentar uma ambição desmedida.

Eduardo Jesus

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