A “modicidade” da TAP...

16 Set 2018 / 02:00 H.

Temos que ser nós, madeirenses, a pôr fim a esta discriminação feita pela TAP! Temos que ser nós, madeirenses, a pôr fim aos seus preços “módicos” para a ilha! Se os madeirenses não se unirem e defenderem os reais interesses da Madeira, os reais interesses do seu povo, independentemente do partido que representam ou apoiam, não será o governo central a fazê-lo, como aliás, nunca o fez. Para essa gentinha, o país é Lisboa, o resto é paisagem... e as ilhas, pequenas colónias...

No passado sábado, dia 8 de Setembro, o director executivo (ou “CEO”, estrangeirismo pomposo para o referido cargo, que os senhores dos negócios gostam tanto de usar) da TAP, Antonoaldo Neves, em entrevista ao semanário Expresso, referiu que, para a companhia aérea, cujo principal accionista é o estado português (é importante relembrar este pormenor), a ”Madeira é uma operação maravilhosa”... Pudera, com as tarifas “módicas”, termo utilizado na referida entrevista para adjetivar os preços pornográficos (epah, desculpem, o referido senhor não gosta desta palavra) praticados nas ligações entre a Madeira e o continente, pela companhia portuguesa, até eu acharia uma maravilha ter aviões a voar para a ilha!

O senhor Antonoaldo, durante a audição da Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas apresentou uns valores médios dos preços para a Madeira algo estranhos, a meu ver... Depois é que percebi que esses valores fazem referência a todos os que frequentam a linha para a para a Madeira, e não apenas os beneficiários do subsídio social de mobilidade, como deveria de ser feito. Segundo o senhor director, em 2018, uma viagem (ida ou vinda) ronda, em média, 101€. Ou seja, segundo o mesmo, em média, para alguém que vá fora e depois regresse à ilha, gasta 202€. Valores que são facilmente desmentidos pelo relatório da ANAC, que concluiu que, após a implementação do actual modelo de subsídio social de mobilidade, as viagens (ida ou vinda), em média, custam entre os 160 e os 206€ aos beneficiários do referido subsídio, valores muito superiores aos do senhor da TAP.

Mas vamos voltar à utopia do senhor Antonoaldo. Vamos imaginar que uma viagem (ida ou vinda) custa, em média, 101€. Ora, gostaria de saber como é possível isto acontecer? Nem nas ditas épocas baixas, encontro viagens por tais preços “módicos” nesta nossa TAP (digo nossa porque é o estado português, através da Parpública, que detém a maioria das acções desta companhia aérea, 50%!). Vá, está bem... Se reservar com antecedência, consigo preços assim (ou talvez não... basta fazerem simulações para, por exemplo, a próxima época de Natal. Até escalda...), mas se tiver que ir, com urgência, a território continental? Nem em época baixa consigo bilhete por 101€! Não sei se sabe, senhor “CEO” mas, sendo a Madeira uma ilha, a única forma de sair daqui é apanhando um avião. A maioria do madeirense não consegue sair ou entrar na Madeira, de um momento para o outro, se não tiver uma senhora quantia de dinheiro... Dou o exemplo de um doente que precise de ir ao continente fazer tratamentos, ou de um pequeno empresário que vá tratar dos seus pequenos negócios, ou de um estudante universitário teso, que tenha sido colocado no continente, e que precise de desembolsar acima de 200€ (só para ir!) para se apresentar rapidamente na sua faculdade, a fim de não perder a sua vaga! Infelizmente, senhor Antonoaldo, nem todos os madeirenses têm um “módico” ordenado como o seu...

Gostaria de deixar uma palavra agradecimento ao primeiro-ministro português, António Costa, à geringonça e companhia que governa este país, por permitirem a prática destes preços tão “módicos” por parte de uma companhia financiada em 50% por todos os portugueses e por não a obrigarem a fazer serviço público para as regiões autónomas. Já ao Presidente Marcelo, a única coisa que poderia pedir é uma “selfie”...

Repito, em jeito de conclusão. Para essa gentinha, o país é Lisboa, o resto é paisagem... e as ilhas, pequenas colónias...

Francisco Gouveia
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