A invencível armada

03 Ago 2018 / 15:18 H.

Na vida, como na política, não há vitórias antecipadas e as sondagens valem o que valem. A História é feita de ziguezagues, de avanços e de recuos e quando menos se espera, tudo muda, porque há fenómenos que nem sempre dependem da vontade humana ou da determinação política. Um bom exemplo da imprevisibilidade ocorreu por estes dias há quatrocentos e trinta anos, quando uma inesperada tempestade mudou para sempre o curso da História e a configuração política do mundo. No verão de 1588 teve lugar a maior batalha naval que alguma vez ocorreu, quando cerca de cento e trinta navios, 8 mil marinheiros e 18 mil soldados da “Invencível Armada” saíram de Lisboa rumo a águas inglesas, a mando de Filipe II de Espanha com o objetivo de depor a rainha herege e restituir a coroa britânica à Igreja Católica. A armada que era invencível foi inesperadamente derrotada por um ataque surpresa de navios incendiários ingleses e por uma súbita mudança do vento. Gerou-se o pânico e os navios espanhóis desorganizaram-se, foram obrigados a retirar-se e perderam-se numa tempestade. Esta repentina derrota aliada a uma enorme desorganização mudou para sempre o curso da História e ensinou-nos que não existem vitórias antecipadas. Por estes dias, há quem procure descobrir qual o segredo da “vitória” e da tomada do poder, foi o que muitos outros tentaram fazer ao longo da História. Maquiavel resumia a política do Príncipe a dois grandes objetivos, conquistar o poder quando não se o possui ou conservá-lo, quando este já foi conquistado. Max Weber, referindo-se à atividade parlamentar, distinguia a política positiva da política negativa. A primeira, é a política que conta com uma maioria parlamentar e onde se decidem e administram os negócios públicos e a segunda, é a que conta com uma minoria de representantes e onde se utiliza o peso político para obstruir as decisões da maioria que realiza a administração positiva da política. Atualmente e apesar das diversas teorias, os mais recentes exemplos de geringonças e de formação de maiorias parlamentares demonstram que não existem fórmulas mágicas para a governação e exigem independentemente das estratégias, políticos cada vez mais dedicados à causa pública e aos eleitores. O trabalho e a proximidade são para mim, dois dos grandes segredos da “vitória” e apesar de não fazerem parte da estratégia de muitos e de nem sempre constituírem garantia de sucesso, sem eles com certeza não chegaremos à vitória. É por isso que em jeito de balanço parlamentar, orgulho-me das mais de cem iniciativas legislativas na Assembleia da República do PSD –M e de este ser o partido com mais trabalho e iniciativas a favor dos madeirenses e porto-santenses. Em São Bento, colocamos sempre em primeiro lugar o interesse da Madeira e por isso ainda na semana passada votamos contra a Lei de Finanças Locais, contrariando o sentido de voto da nossa bancada. Ao contrário de outros, o nosso voto, bem como o nosso trabalho e a nossa persistência estão sempre do lado dos madeirenses e porto-santenses, quer seja no financiamento do novo Hospital, na revisão do subsídio de mobilidade, nos cancelamentos da TAP, na revisão da taxa de juro, no apoio aos incêndios, mas também no encerramento das estações dos CTT, da CGD, ou na reivindicação de melhores condições e carreiras dos serviços da República na Região. O que mudou e foi resolvido, como a instalação do radar meteorológico, o compromisso de construção de novas esquadras da PSP no Porto Santo e na Ponta do Sol e a disponibilização de um atendimento especializado às vítimas de violência doméstica, a aprovação na generalidade de 86,00 euros na compra do bilhete de avião, a regularização dos reembolsos do ADSE, os apoios nacionais e à internacionalização aos artistas madeirenses, a devolução de verbas aos trabalhadores não avaliados das Câmaras Municipais, como é o caso da Ribeira Brava, a possibilidade de todas as famílias afetadas pelos incêndios poderem aceder aos apoios nacionais independentemente dos seus rendimentos, deve-se ao PSD Madeira e é fruto do nosso trabalho de proximidade e das nossas reuniões semanais na Madeira e no Porto Santo. Abrimos ainda as portas do parlamento a muitos madeirenses e porto-santenses, promovemos em Lisboa o nosso vinho Madeira e o rum agrícola, para além das inúmeras visitas à Região de diversas comissões de parlamentares nacionais. Termino com uma citação de Nelson Mandela que esta semana foi imortalizado na praça do povo no Funchal “tudo é considerado impossível até acontecer”. Ao contrário do que muitos pensam ou tentam agora impingir, o sucesso nem sempre depende de senadores, ou de políticos com uma determinada imagem, mas da persistência, da proximidade e de muito trabalho para fazer acontecer.

Sara Madruga da Costa