A fundamental necessidade da criação de um PREC na Região

21 Mar 2017 / 02:00 H.

É fundamental eleger a Cultura como um dos pilares do desenvolvimento económico e social, atribuindo de uma vez por todas um forte papel às Economias Criativas e à “Tribo do Pensamento”. A cultura exerce-se através da diplomacia, da administração, da descentralização e do acesso; da introdução do ensino artístico no Sistema Nacional do Ensino, passando pela formação de professores e pela inovação. Os agentes culturais estão na sua maioria no seio da juventude, o que implica uma política concertada com este sector. A maximização dos recursos disponíveis, a centralização dos incentivos, do património e das infraestruturas existentes, por um lado, e a aplicação criteriosa dos fundos do Estado, a captação de recursos, a geração de riqueza, por outro lado, implicam uma estratégia e uma planificação financeira claras. O combate ao assistencialismo e à dependência do Estado pelos agentes culturais e criadores impõe uma política nova de responsabilidade social, de iniciativa e de autonomia, que é fundamental que seja implementada. O empreendedorismo social apresenta-se como a via mais adequada. Igualmente, tendo em conta o conceito e a política da “Nação Global”, a extensão das ações culturais ao universe dos países que falam lingua Portuguesa é um imperativo. É necessário estreitar a relação entre o Turismo e a produção do Artesanato, a criação de uma agenda única de eventos culturais que não sobreponha acontecimentos por raio de acção e a implementação de um roteiro turístico pelos patrimónios e sítios que fazem realmente dar a conhecer a nossa história e alicerces culturais, entre outras, é essencial para a competitividade da nossa Região nessas áreas.

Nesses termos, torna-se crucial uma estratégia conjunta de vários sectores, uma uniformização de critérios relativos à matéria cultural e uma gestão partilhada da “coisa” comum. A criação de um organismo independente dentro da estrutura governativa que possa defender e implementar um “PREC” (Plano Regional para as Economias Criativas) , como órgão permanente de articulação e de sugestão de políticas interventivas nestas áreas, entre as várias Secretarias Regionais e Organizações com ramificação na cultura, satisfazendo essa necessidade, através de um plano estratégico eficaz, que contemple uma agência de desenvolvimento de empreededorismo e inovação e de uma “RIR” (Rede de Incubadoras Regionais) distribuida pelas diversas áreas de acção (geográficas) da RAM (municipios).

Criação da “ADEI”- Agência de Desenvolvimento, Empreendedorísmo e Inovação

Porquê?

Estamos a entrar na recta final do quadro 2020, temos menos tempo para aplicação de resultados do que aquele que já tivemos, sendo imperioso estimular e promover a criação e o desenvolvimento de empreendimentos criativos, apoiando a formação em empreendedorismo, a gestão e em áreas técnicas de profissionais actuantes nas cadeias produtivas dos setores criativos, no sentido de fortalecer os micro e pequenos empreendimentos criativos, associados ao turismo cultural e de eventos

Tornou-se por isso fundamental disponibilizar informações relativas à economia criativa da RAM, no sentido de munir os profissionais e empreendedores criativos de dados relativos a oportunidades de negócios e de captação de recursos, promovendo a troca de experiências, soluções e tecnologias implementadas por empreendimentos criativos e formando e qualificando profissionais para o desenvolvimento de competências essenciais para a gestão desses empreendimentos, planeamento e orçamento, administrativos e financeiros, pessoas, marketing, custos, produtos, etc. Promover o desenvolvimento profissional dos criativos a partir de capacitações voltadas para a gestão de carreiras e iniciar urgentemente a realização de oficinas e cursos voltados para as vocações regionais, oferecendo serviços de consultoria e assessoria voltados para elaboração de planos e projetos (estratégicos, de negócios, de marketing etc), para o desenvolvimento de produtos, para questões jurídicas e de direito autoral, para processos de formalização de empreendimentos, com ou sem fins lucrativos, e, por fim, para processos de exportação e distribuição de bens e serviços criativos.

Neste “circulo de necessidades” é necessário promover e facilitar o acesso a linhas de fomento (editais e crédito) de profissionais e empreendimentos criativos junto a instituições financeiras e de financiamento, estimulando e promovendo o associativismo por meio da formação de redes e coletivos, formais e informais, e da articulação para a criação de territórios (comunidades) criativas, qualificando a interlocução entre setores criativos e instituições de apoio.

A Criação de um núcleo, dentro desta “ADEI”, para a promoção de negócios criativos voltado para o atendimento a empreendedores - artistas, produtores e gestores culturais, profissionais autónomos, empregados de empresas das diversas cadeias que constituem a economia criativa, ONGs e entidades de classe que actuem ou pretendam actuar nos setores criativos e potenciais distribuidores de produtos e prestadores de serviços destes setores.

A Criação da“RIR” - Rede de Incubadoras Regionais

Porquê?

Esta criação deve ser pensada para a articulação e criação de canais de distribuição (Pontos de Venda) dos produtos criativos registados na nossa rede e “selados”
com o nosso selo em aeroportos, portos, hotéis e demais centros culturais e turísticos.

Formação de técnicos que promovam de forma capaz a difusão, comercialização
e exportação dos produtos criativos da Região, utilizando a promoção de campanhas de difusão da marca “Madeira Criativa”, criando um calendário de participação dos empreendedores criativos madeirenses nas
principais feiras internacionais de negócios criativos, criando uma agenda integrada nos mercados estratatégicos da Associação de Promoção da Madeira para a circulação periódica de
produtos criativos regionias. É fundamental também criar uma linha de apoio aos empreendedores criativos madeirenses, que vivem e trabalham em países estratégicos
para a economia criativa da região, para que possam prospectar mercados, contribuir para a realização de negócios, residências culturais e criativas, constituindo-se parceiros da política de circulação e exportação de produtos criativos nacionais, estando presentes de forma assídua, através da realização de feiras de produtos criativos madeirenses em países estratégicos para a economia criativa da Região.

É fundamental UNIR A TRIBO DO PENSAMENTO.

Sérgio Vieira de Nóbrega
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