Ser estudante longe de casa é sinónimo de ter maus hábitos alimentares?

03 Abr 2014 / 02:00 H.

Muitos dos jovens que acedem ao ensino universitário vêem-se obrigados a deixar a casa dos seus pais e viajar para outra cidade. Com quarto alugado em casa particular ou residência universitária, trata-se de uma nova etapa na vida destes jovens e a necessidade de adaptação a novas circunstâncias. A alimentação, outrora assegurada pelos pais, passa a ser uma responsabilidade do estudante. Para alguns, é o respirar e o sentir a liberdade de “poder comer o que quiser, quando quiser”, para outros, trata-se apenas da realização de uma das necessidades humanas básicas.

Terão de organizar-se e planear a sua alimentação de acordo com a sua disponibilidade financeira, de tempo e de gosto, ao mesmo tempo que dedicam parte do dia-a-dia ao estudo e às descobertas inerentes a uma nova vida. No meio de tudo isto, farão estes jovens, uma alimentação correcta? Se alguns conseguem abastecer os seus frigoríficos e despensas com géneros alimentícios e refeições já confeccionadas, provenientes da casa dos pais, a maioria dos estudantes universitários a viver sozinhos ou em grupo, optam por frequentar as cantinas universitárias e/ou cozinhar à medida da sua vontade, tempo e saber. Outros ainda, rendem-se aos prazeres da “fast-food” e “junk-food”. Desde cozinhar de forma rápida o tão típico a afamado prato de “massa com atum”, preparar sanduiches e taças de leite com cereais, ou aquecer no microondas refeições pré-confeccionadas congeladas, por vezes as opções são (ou parecem ser?) limitadas, quando o tempo é curto e a vontade de cozinhar ainda menor.

É nosso dever alertar os estudantes universitários para os problemas de saúde associados à adopção ou manutenção de hábitos alimentares incorrectos!


Variedade e cor! Garantir uma nutrição adequada passa por adquirir e ingerir alimentos dos diversos grupos da pirâmide que simboliza a dieta mediterrânica. Frutas frescas, legumes e vegetais, leguminosas, cereais de diferentes tipos, carne e peixe, lácteos…são inúmeras as possibilidades.

E como colocar em prática? É tudo uma questão de mínima organização e planeamento. Em primeiro lugar, é importante que um estudante universitário faça várias refeições ao longo do dia, ajustadas ao tempo útil de aulas, estudo e vida activa. Para favorecer a concentração é fundamental ingerir alimentos de qualidade, que forneçam a energia necessária ao bom funcionamento do cérebro, assim como assegurar uma correcta hidratação para evitar o cansaço físico e mental. Nos períodos de maior cansaço existe a tendência de se optar por alimentos de elevada densidade energética, como chocolates, bolos, salgados, bolachas. Além de serem extremamente ricos em açúcar e em gordura, muitos destes snacks são também excessivamente ricos em sódio (sal). Induzem uma falsa sensação de conforto e de energia que a longo prazo não se verifica, uma vez que grande parte dessa energia não é gasta pelo organismo. Nem todos os jovens são activos fisicamente o suficiente para colmatar estas escolhas alimentares, sobretudo se forem um hábito.


Durante as horas de estudo e de trabalho a garrafa ou copo de água ou chá não açucarado deve estar sempre presente. Bebericar pequenos goles de cada vez desperta, hidrata e rentabiliza a tarefa que se está a fazer. Alimentos frescos como fruta e vegetais (por exemplo palitos de cenoura ou rodelas de rabanete crus), lacticínios pouco gordos, pão de mistura de cereais, bolachas simples com baixo teor de açúcar, tostas secas integrais, devem estar disponíveis para as refeições intermédias. As principais, se forem realizadas no domicílio, devem integrar sopa de legumes ou pratos simples de carne ou peixe, confeccionados com pouca gordura e sem molhos, com uma porção de legumes/vegetais e de cereais ou tubérculos a acompanhar, mas em dose controlada.


Mesmo não sendo chef não é difícil cozinhar refeições rápidas, mas nutricionalmente equilibradas. Massas variadas e arroz, cozidos em água e com uma mínima adição de sal e depois misturados com legumes/vegetais, carne ou peixe desfiado (a sobra de uma refeição anterior) e no fim regados com um fio de azeite ou salpicados com queijo parmesão. Especiarias, ervas e plantas aromáticas como é o caso dos orégãos e do manjericão, podem ser adicionados e conferir um sabor diferente. Podem e devem ser utilizados os alimentos congelados, são de qualidade e conservam as suas propriedades nutricionais. As conservas de peixe ao natural ou inclusivamente em gordura, mas bem escorridas, podem acompanhar leguminosas como o grão e o feijão e serem generosamente guarnecidos com florões de brócolos ou espinafres previamente escaldados. Tomate, alface, rúcula, cenoura,  couve-roxa e agrião crus, para rapidamente guarnecer qualquer prato com cor, vitaminas e minerais. A sopa, por sua vez, não é difícil de confeccionar. Seleccionar os legumes pretendidos e cozê-los em água abundante, triturar parte ou homogeneizar a totalidade, adicionar sal e azeite q.b. e está pronta a servir. Caso a refeição principal seja realizada na cantina universitária, o ideal é escolher os pratos mais simples e, sempre que possível, alternar o consumo de carne e de peixe. E quando passar muitas horas do dia fora de casa, porque não levar um leite ou iogurte, uma sanduíche e uma peça de fruta para as refeições intermédias? É dinheiro que se poupa e saúde que se ganha!

Diana Alexandre

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