4 de Outubro – Alvitre

Confesso que fiquei perplexo e, porventura nalgum dos casos, boquiaberto

01 Out 2017 / 02:00 H.

Sabem, os que têm paciência de me ler nestas páginas, que o tema do custo dos transportes aéreos, de e para a Madeira, é matéria que tem ocupado muitas das linhas que aqui escrevo.

Dito isto, na sequência do envio à Presidência da República de uma missiva respeitante a um conjunto grave de situações que entendo que têm sido promovidas, contra os Madeirenses e a Madeira, por uma empresa de capitais públicos (a TAP), situações essas que configuram, em meu entender e fundamentalmente, desrespeito pelos direitos dos cidadãos Madeirenses (enquanto Portugueses que dizem que somos), mas também contra a economia regional (em especial pelo peso do turismo na mesma), e considerada a resposta obtida, decidi alvitrar, numa rede social, a realização de uma manifestação, no próximo dia 4 de Outubro, aproveitando a vinda à Madeira, nesse dia, de Marcelo Rebelo de Sousa.

As reações, interessantemente, foram de vários tipos! Desde o insulto, por parte de alguém que chegou ao ponto de dizer que quando eu estava no governo (já dele saí há 17 anos!) não me preocupava com o tema ... até à disponibilidade e interesse de muitos, salvaguardado, segundo alguns, que não se envolvessem partidos e, segundo outros, que se responsabilizassem todos os envolvidos no processo, quer de lá quer de cá.

Mas o mais extraordinário foi a quantidade de outros que, fazendo parte da que eu não sabia ser a razão central da visita de Sua Excelência – leia-se a comemoração dos 75 anos do novo liceu e os 50 anos de umas “capas” – me desafiaram (nas redes, por telefone e pessoalmente) a que pensasse nas circunstâncias e que, atendendo às mesmas (e ao facto de ter sido professor e responsável político do sector), tentasse evitar que um momento de festa para tantos fosse, eventualmente, ultrapassado por uma manifestação que, todos julgando legítima, estragaria o momento para que tantos tinham contribuído...para além, diziam-me, que as autoridades regionais já tinham avançado com uma reclamação institucional, espírito que também me reconheciam e ao qual apelavam.

Confesso que fiquei perplexo e, porventura nalgum dos casos, boquiaberto, e a verdade é que acabei por deixar o alvitre, da manifestação, ficar por isso mesmo.

Mas atrevi-me, então, a suscitar, a alguns dos “peticionistas”, um outro alvitre! Nomeadamente que aproveitassem a ocasião e a proximidade, sabido em especial das imensas oportunidades que a afetuosidade dos beijos, abraços e “selfies” proporcionam, para, nesses momentos, ao ouvido do Senhor (mais ou menos intensamente, conforme a vontade de cada um), darem nota dos pecados que a TAP comete contra todos nós e que, contrariamente ao que o Chefe da Casa Civil referencia, a questão cabe nas atribuições e é da total e absoluta competência também do Presidente da República Portuguesa (repito, caso os Madeirenses sejam cidadãos de pleno direito da dita cuja).

Termino, na expectativa e esperança que, para além daqueles quem me contactaram, os que leiam este artigo, dele oiçam falar e estejam presentes nas festividades, ou se encontrem com Sua Excelência, façam o mesmo...o que seria, eventualmente, pior do que uma “manif”! Last but not least, como dizem os ingleses, seria também interessante que, complementarmente, cada um(a) remetesse para o endereço belem@presidencia.pt exemplos concretos que todos vivemos e conhecemos, a fim da matéria não cair em saco roto.

Francisco Santos
Outras Notícias