A Escola e os alunos com fome

19 Fev 2012 / 03:00 H.

A sociedade contemporânea exige, cada vez mais,às escolas novas formas de estar e de olhar o mundo,não só porqueos seus desafios se renovam todos os dias, como os seus paradigmas também estão em fase de mudança. 
Nada é constante, o estudo, a aprendizagem, o emprego, o conceito da carreira profissional, os horários de trabalho, a precariedade, os despedimentos, a família, isto é, tudo se alterou.

Esta dinâmica da nossa sociedade, a transbordar informação e tecnologias e coma era digital a invadir as nossas vidas,exige que os alunos construam de forma diferente do tradicionalo seu próprio conhecimento, o seu saber e nunca abandonem a forte vontade para adquirirem as competências necessárias para atingirem o sucesso académico e profissional.
Aescola, por sua vez, tem de ser capaz de ensinar os alunos a pensar melhor, a refletir, a reinventar cada situação, a serem autodidatas, a tomarem opções, a assumirem um espírito crítico, a enfrentarem as transformações do mundo como uma etapa normal do desenvolvimento, todavia, hoje, esta tarefa esbarra com uma dura realidade que se chama fome. Fome com duas faces: uma envergonhada, escondida atrás de um olhar triste e de uma dor constante no estômago, e outra mais visível!

A escola assume assim uma nova e importante função social. Continua a ensinar conteúdos programáticos, a passar valores, a gerir conflitos sociais e a resolver os mais diversos problemas disciplinares, sem dúvida, mas, por força das circunstâncias, juntou agora aos seus objetivosa necessidade de encontrar os meios suficientes para diminuir a fome entre muitos dos seus alunos. Em algumas situações, a escola significa o último recurso para estas crianças e jovens.
Os resultados que a escola tem atingido nesta matériasó têm sido possíveis porque existem professores solidários, verdadeiros profissionais que juntamente com algumas instituições procuram ajudar a garantir parte das necessidades básicas dos seus alunos.

Rui Caetano, Pres. Conselho Executivo da Gonçalves Zarco