Ratinho

24 Jun 2011 / 07:34 H.

 Se espera ler sobre algum comentário sobre a situação política do país, sobre o facto de Alberto João Jardim ter ‘emudecido’ com as palavras de Cavaco e Silva e Passos Coelho na tomada de posse do novo Governo em Lisboa, este texto não é para si.

Hoje, escrevo-lhe sobre uma coisa completamente diferente. Abandono a pele de jornalista/ comentadora e falo-lhe como mãe para lhe dar a conhecer a história do Leonardo, o Ratinho. E a razão para isso é muito simples: Porque se fosse mãe deste menino de cérebro liso gostaria que outras mães também contassem a minha história.

E porque ao ler o último post desta verdadeira mãe-coragem no blogue onde vai mantendo os seguidores a par da situação do Ratinho, não pude ficar indiferente. Ninguém, pode.

“Como fugir a todo este sofrimento?
Como sobreviver a tudo isto, ao degradar de um corpo que não tem culpa nenhuma?”, interroga-se.

Conheci a história do Ratinho pela pena de uma amiga jornalista, que entrevistou a mãe do menino sobre esta doença rara, a lisencenfalia, ou doença do cérebro liso, que faz com que o pequeno se mantenha a idade mental de 3-5 meses. Um quadro agravado por ataques de epilsepsia, dispneia, apneia e espasmos frequentes.

Li a história de fio a pavio. As lutas, as frustrações, as pequenas vitórias deram-me um aperto no coração e não pude deixar de pensar: “E se fosse comigo?”

O trabalho venceu um prémio jornalístico e a repórter em questão não mais parou de tentar ajudar esta família, que, pouco depois de ver o sonho da paternidade se concretizar, recebeu o veredicto para o qual nenhum pai está preparado. “O Leonardo tem uma esperança média de vida curta, que não deverá ultrapassar os dois anos”. Já passou esta meta graças aos pais, que vivem numa dedicação permanente.

Não é fácil. Basta acompanhar o dia-a-dia em http:/cerebro-liso-lisencefalia.blogspot.com/ para perceber. Se para o comum dos pais de uma criança de dois anos, um dia difícil é quando se tem de lidar com uma constipação, dificuldades de respirar ou uma diarreia e as noites mal dormidas que isso implica, para os pais do Ratinho isso é rotina.

Apesar de tudo, dificilmente esmorecem e têm sido incansáveis na luta para dar ao Leonardo uma vida digna com a máxima qualidade de vida possível. Mas precisam de coisas, pequenas coisas, como uns sapatos específicos que podem fazer a diferença. E outras. E é também por isso que lhe apresento o Leonardo. Na esperança de que, se houver algum leitor com capacidade de o tornar um bocadinho mais feliz, se sinta sensibilizado para fazer a diferença. 

Também sei que há ‘muitos Leonardos’ por aí, se pensarmos em pessoas com deficiência. Um pouco por todo o país, e a Madeira não é excepção. Este é o que conheço.

Mas se estas palavras servirem para que se lembre de quem está mais perto e precisa, também terão valido a pena. E, se porventura, o leitor ignorar esta história e voltar para os seus afazeres, também estou certa de que vai com outro estado anímico. É que as crises corriqueiras e os dramas domésticos certamente serão reduzidos, pelo menos hoje enquanto se lembrar do Ratinho, à pequenez que merecem.

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