A definição de uma política cultural

18 Out 2010 / 02:00 H.

Nunca a criatividade foi tão central para a Economia e para o Desenvolvimento como nos dias que correm. O urbanista norte-americano Richard Florida, numa análise sobre Economia Criativa incluída na obra The Rise of The Creative Class: And How it is transforming leisure, community and everyday life defende que o desenvolvimento económico acontece preferencialmente em cidades que dispõem de um meio cultural criativo e de indústrias criativas.

Embora não exista uma fórmula mágica para uma política cultural de sucesso - que conduza, em última análise, a um incremento do "valor criativo" de um determinado meio -, pois tal depende de uma análise exaustiva dos espaços culturais e dos modos de relação com a cultura, diferentes em cada território, é importante perceber que o caminho passa, na esmagadora maioria das situações, pela adopção de uma política de "democracia cultural" - retirando ao termo as conotações políticas que, muitas vezes, dificultam o debate -, que terá sempre como um dos objectivos nucleares diminuir as distâncias entre o acto da criação cultural e o acto da recepção cultural, ou seja, segundo o sociólogo português José Madureira Pinto, citado por António Firmino da Costa no artigo Políticas Culturais: Conceitos e Perspectivas, editado na revista do OBS, tentar uma "aproximação dessacralizadora à materialidade do acto de criação cultural", em resumo, é urgente colocar no eixo central da política para a cultura o cidadão e a sua capacidade de criar.

Qual o caminho para o conseguir: mais uma vez, não existem fórmulas mágicas. São várias as possibilidades, que podem (e devem) ser conjugadas e que deverão ter como bases o pluralismo, a educação e o associativismo. Alargar o número de criadores e produtores culturais é sempre uma boa ideia, tal como apostar na educação dos públicos escolares para as artes e para a familiarização com os processos de criação artística. Utilizar o espaço público como local de fruição (recepção) e prática (criação) é fundamental, tal como apoiar as práticas emergentes, e o associativismo. O fundamental é, repito, colocar o cidadão no centro das políticas culturais. Não só como receptor mas também como criador.

Gonçalo Santos, Gestor de projectos

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