Aquela história do “Custo/Benefício”!

Consomem-se serviços públicos com altos custos e depois não se justificam os benefícios

20 Abr 2017 / 02:00 H.

Para quem gosta e sabe fazer contas - que provávelmente não é o meu caso - o factor custo/benefício, é concerteza importante, até será primordial e obrigatório, no controlo dos negócios, ... sejam eles grandes, médios ou pequenos. E também, para essas pessoas que sabem “ler” as contas, o facto de poderem pagar impostos em outros países que não o seu - desde que seja em menor valor - será importante para que o custo corresponda a um maior benefício. O que vale aqui é o maior rendimento possível, ... e que se lixe o país de origem! Até porque a nossa legalidade assim o permite! Deste modo se percebe “ab initio” que, para o custo, quanto menor melhor e para o benefício, ... que seja sempre o maior possível! Mas nem sempre isto resulta assim, nem o é para toda a gente. Quando a D. Eugénia (nome fictício) vai ao Pingo-Doce ou ao Continente, porque lhe faltam, ovos, queijo e compotas, ... e quando lá chega verifica as rebaixas do dia: morangos a 1 euro, tomate a 50 ctms e ananás e 1 euro e meio, ... compra estes em detrimento dos outros. E como lhe faz falta o dinheiro, ... compra afinal aquilo que não precisava,... até porque já os tinha em casa e destrói nesse preciso momento, a equação, custo/benefício! Pouco custo e zero benefício! Quando fazêmos aqueles seguros da compra de uma casa, via-entidade bancária, alguns deles, têm mil e um items ... com proteções para inundações, queda de aeronaves ou de antenas, terramotos, deslizamento de terras, ciclones, etc, etc. Mas estes seguros, com este alcance gigantesco, ... quando os vamos pôr em prática - como alguns destes acidentes são raríssimos - verificamos que as coisas mais vulgares e comuns, não estão devidamente seguradas. Quer isto dizer, que estamos realmente a pagar pouco, mas, efectivamente ... não temos direito a quase nada! Pouco custo e pouco benefício! Os portugueses, com estes rendimentos baixos - porque os seus ordenados são limitados - ficam sempre obrigados a fazer contas, normalmente nas compras dirigidas ao seu conforto, com a consequência final, de ficarem prejudicados, pela sua obrigatória opção, não pela necessidade, mas pelo preço. Ficando deste modo reféns das grandes empresas, dos grandes negócios ... cujas contas são inexorávelmente realizadas, para os grandes lucros. Outro dia, reparei num Super da capital do país, a venda de morango vermelhos e brancos, isto é, morangos imaturos, a um preço “canhão”... ao lado dos morangos vermelhos - maduros - bem mais caros. Esta é uma forma de negócio que devia ser proibida ou controlada, a qual se aproveita das carências e dificuldades dos cidadãos que as têm.

Nos serviços de saúde, não se imaginam as disparidades entre os custos e os benefícios. Muitas vezes as pessoas recorrem aos hospitais e aos serviços de urgências ... são atendidos ... faz-se o despiste de patologias. Realizam-se exames, testes, depois ... afinal não tinha nada! Consomem-se serviços públicos com altos custos e depois não se justificam os benefícios. - Fiz uma ressonância e não acusou nada! Ainda bem, dirão, ... mas gastou-se um dinheirão com um exame, o qual noutras circunstâncias, com melhor avaliação seria desnecessário. Os erros da medicina defensiva são exactamente estes - pelo seguro faz-se os exames! Qual o custo deste tipo de acção? Temos serviços de saúde cujo preço de consulta médica é menor do que cinco euros. Acham possível pagar devidamente o trabalho de um profissional médico - com cerca de 22 anos de estudos e trabalho específico - cobrando consultas a este preço? Como se calcula o custo/benefício nestes casos? E as vacinas! Que algumas pessoas acham não serem importantes, ... e depois apanham doenças virais, tipo sarampo, ... e consomem os dinheiros públicos até ao valor que for achado necessário. E aqui, qual o custo/benefício? E qual é a penalização?

Para todos terem tudo, alguns têm de pagar pelos outros, ... porque o dinheiro não estica ... e aqueles que mais impostos pagam no seu país são os que pagam a factura ... e não levam o recibo!

José Manuel Morna Ramos