Temporais, tiques e ‘jobs for the boys’

04 Mar 2018 / 02:00 H.

1 Na última semana a Região foi afectada por dias de chuva abundante, ventos fortes e mar revolto, que causou estragos consideráveis nas zonas costeiras. Infelizmente um cidadão britânico morreu, arrastado por uma onda na Praia Formosa.

Apesar dos danos sofridos e de 12 pessoas terem sido realojadas não se registou nenhuma calamidade paralela à do fatídico 20 de Fevereiro de 2010, tão presente na memória das pessoas que viveram esse momento traumático. Podemos afirmar que há uma ilha antes do 20 de Fevereiro e outra depois. As pessoas estão muito mais despertas e uma chuvada mais intensa faz accionar o alarme e disparar interrogações. Passada a tormenta urge questionar: estamos preparados e mais precavidos para fazer face a um grande temporal? As ribeiras conseguirão suportar grandes caudais? A situação nas serras está sob controlo? A ausência de Planos de Ordenamento da Orla Costeira não facilitou os estragos feitos, agora, pelo mar? Parece óbvio que sim.

Temos de saber viver com chegada de fenómenos climáticos extremos e diferentes, mas as autoridades competentes têm de garantir que estamos preparados para os enfrentarmos com maior segurança.

2 Numa semana em que o mau tempo dominou conversas e as preocupações da população, Miguel Albuquerque ressuscitou tiques de um passado não muito longínquo, demonstrando, com isso, desespero e desorientação. Disse o presidente do PSD-M que já “avisou dois ou três tipos” que minam a “unidade do partido” que os pode colocar no “olho da rua”. A expressão, muito utilizada pelo seu antecessor, foi proferida numa altura em que Albuquerque quer reforçar a sua liderança e preparar-se para enfrentar o adversário socialista nas eleições de 2019, que estão ao virar da esquina. O calendário ainda não está definido mas para o ano há três actos eleitorais: europeias, legislativas nacionais e legislativas regionais.

Se acontecer como em 2015, as nacionais serão em Outubro, como habitualmente, e as regionais? As ‘máquinas’ têm de estar prontas e preparadas para o combate. O Governo Regional já não tem muito tempo para mostrar ‘obra’, tem dossiers em suspenso, importantes, e sobre os quais foram feitas promessas em 2015. E as culpas não podem ser só assacadas ao Governo da República...

3 É quase sempre assim, invariavelmente. Quando conquistou o poder, em 1995, António Guterres disse que queria acabar com a proliferação do que designou por ‘job for the boys’, que engrossavam os gabinetes ministeriais dos governos de Cavaco Silva, nos últimos dez anos. Sol de pouca dura. Passado um ano a ‘Visão’ e outros órgãos de comunicação davam conta do elevado número de assessores, adjuntos, secretárias, ‘recibos verdes’ e uma catadupa de rapazes e raparigas contratados para ‘servir’ no Estado. Não era para menos. O PS não governava desde 1985. Na Região o cenário não é diferente. Há um aparelho partidário pejado de pessoas sequiosas por ‘trabalho’, por uma oportunidade, digamos assim, de estar junto o poder de decisão. Obviamente que são necessárias pessoas para os gabinetes, algumas delas da confiança pessoal do titular, mas todos sabemos que os excessos são sempre cometidos para promover ‘equilíbrios internos’, com um problema: quem paga a factura é o contribuinte cumpridor. A listagem de nomeações dada a conhecer pelo JPP na edição de ontem do DIÁRIO carece de explicação detalhada e não apenas da tradicional justificação de que se está perante um acto deliberado de aproveitamento político. 26 milhões de euros é uma quantia considerável!

Roberto Ferreira
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