Sociedade civil resolve?

Partidos andam todos ao mesmo, à procura dos melhores. Mas fora de portas

04 Fev 2018 / 02:00 H.

Os madeirenses estão todos convocados. Desta vez, para governar! Não interessa se há lugares para distribuir e uns trocos para gastos, se há vagas nas festas ou poder para exercer. A hora é da sociedade civil, mesmo que depois, contados os votos, só haja ‘jobs for the boys’. Tem sido quase sempre assim.

O PSD lançou o ‘Compromisso Madeira’ determinado em reforçar a abertura a novos quadros e a novos contributos, ignorando por completo os históricos ou os competentes. O CDS não fez por menos e decidiu “ouvir a Madeira” em todos os concelhos e freguesias da Região. O PS acredita que com os ‘Estados Gerais’ terá um programa inovador e arrojado, capaz de responder aos anseios dos madeirenses. Num ápice parece que por instantes perderam militantes e referências. É estratégia.

Os partidos fingem não querer eleitores que se limitem a colar cartazes, a estender roupa ou a hastear bandeiras. A ir a comícios ou a votar. A criar perfis falsos para disfarçar a impotência governativa ou a mobilizar comentadores para dar cabo dos mais talentosos. Por isso, pedem mais uma vez a participação frenética da cidadania, alguma acomodada e alimentada com subsídios, excursões e promessas por cumprir, para ganharem uma dimensão extraordinária, grandeza que a ideologia não garantiu e afirmação social que não resulta apenas do património acumulado.

E depois? Agem em conformidade? Colocam os mais capazes, mas sem ficha partidária, nos lugares de decisão? As novas caras que irão fazer balanço ao executivo - e como balança este governo!!! vão sugerir ideias de borla para depois os poderes espatifarem e oferecer alternativas para posteriormente serem humilhados?

A sociedade civil, tal como a militar e a religiosa, é agora chamada a corrigir erros políticos, que assumem contornos intoleráveis na saúde, e a propor rumos alternativos aos que já comandaram a Região nas últimas décadas. Pode ser tarde. Até porque por falta de oportunidades esta é, em parte, uma sociedade pródiga em especialistas de coisa nenhuma que seja decisiva - e é vê-los entendidos em assuntos doutrinais, peritos em VAR e gestores do além. Hoje muita gente fala do que não sabe, decreta sobre o que não domina e ofende sem preconceito. O que nos vale é que também é feita de inúmeros capazes, gente que não toma a parte como um todo, vê para além do óbvio e lê antes de usar. E estes podem antecipar 2019.

Ricardo Miguel Oliveira
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