Sem emenda

Diversas imprudências tomam conta de quem não sabe, logo, não faz a hora

25 Mar 2018 / 02:00 H.

O logro instalou-se. A um ano das eleições percebe-se quanto desvario e amadorismo, repentismo e alienação domina as mentes e as decisões daqueles que, com maior ou menor flexibilidade, trabalham bem menos do que qualquer um dos privados que os sustentam. Há eleitoralismo desenfreado. Na maioria. E também na oposição.

Dá dó a falta de memória dos que no PSD se deleitam com o palavreado redundante destinado a enfatizar a traição dos socialistas à Autonomia. Têm bom remédio os que outrora não trataram por igual os que ousaram ser diferentes nas câmaras e nas juntas do arquipélago: antecipem as Regionais e submetam-se ao veredicto soberano do povo farto da adjectivação que não lhes resolve a vida. Como diz a canção, “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

O governo pede altruísmo, o povo responsável responde e as colheitas de sangue são suspensas devido à grande afluência. Por falta de capacidade técnica, de recursos humanos e de outros falhas. Ou seja, quem manda nem a solidariedade consegue gerir, suspeitando-se que assim também aconteça com alimentos, medicamentos e consumíveis entregues em unidades de saúde. E ainda há deputados, alegadamente na oposição, que ressabiados e fixados em ajustes de contas pessoais subestimam o drama e ridicularizam as notícias que destapam a incompetência. Tenham vergonha.

As trapalhadas amontoam-se como sucata, feitas do dito por não dito, de avanços e recuos, de adiamentos pensados naquilo que pode chegar por ar e mar, promessas assentes na ilusão que o novo modelo de subsídio de mobilidade fará esquecer um ferry, sobretudo se for um qualquer chaço navegável construído na década de 80.

Tão importante como plantar árvores para a fotografia, fazer coisas para ganhar simpatias ou inaugurar para perpetuar nomes em placas é regar a competência decisiva na qualidade de vida colectiva com estudo, saber e lucidez. Mas também assumir erros sem preconceitos ou culpabilização de terceiros; ou até sair de cena com honra.

No melhor destino não pode cair a nódoa. Exige-se o futuro seja acautelado com mestria. Que o dinheiro para as causas sociais não seja aplicado em caprichos sem retorno venha ele do jogo, do casino ou da Europa. Que os fundos europeus não sejam manipulados e desviados para fins aos quais não se destinam. Que os concursos públicos sejam limpos. Que os poderes sejam capazes de discutir com seriedade soluções para os problemas. Que todos aprendam com erros recentes, emenda que alguns ainda recusam ao insistirem em perfis falsos, ofensas concertadas e outros expedientes da baixa política.

Ricardo Miguel Oliveira
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