Para onde vamos?

Consegue passar sem o seu iPhone e sem o seu iPad 5, 10, 15 minutos ou mesmo 1 hora?

01 Abr 2018 / 02:00 H.

1. Começa a passar despercebido, por ser comum, a imagem de famílias juntas numa esplanada ou num restaurante, que não conversam e que não interagem. É habitual vermos os pais e os filhos juntos, mas com os seus telemóveis ou tablets. Cada um virado para a sua máquina, a jogar, a conversar com amigos ou, simplesmente, a consultar a conta de e-mail. Os tempos são outros e muitos dirão que há uns anos atrás os jornais e as revistas ocupavam o lugar que é agora dos meios tecnológicos. Sabemos que não é assim e que a tecnologia provoca habituação e que a falta do ‘vício’ provoca ansiedade. Até onde devemos permitir que os nossos filhos usem aqueles que são também meios de comunicação fantásticos e uma janela aberta ao Mundo? Estaremos a promover pessoas mais informadas mas isoladas socialmente? Até que ponto as redes sociais se substituíram ao convívio presencial? Estamos a ‘fabricar’ gente despojada de sentimentos? O tema, recorrente, não deve ser esquecido e deve merecer acompanhamento permanente por todos. No ‘Observatório’ de hoje, especialistas apontam caminhos. Leia com atenção, porque as máquinas são importantes, mas o homem deverá estar sempre em primeiro lugar. Consegue passar sem o seu iPhone e sem o seu iPad cinco, dez, quinze minutos ou mesmo 1 hora? Já pensou nisso?

2. O primeiro-ministro não domina a matéria contabilística que leva ao apuramento do défice nacional. Isso já percebemos. Precipitou-se ao acusar uma região autónoma de um ‘pecado’ que não cometeu. Como o Instituto Nacional de Estatística veio a confirmar não só a Madeira não contribui negativamente para agravamento do défice, como foi a única região que o fez positivamente. António Costa foi ligeiro a apontar o dedo. Deveria, a bem da verdade, emendar a mão e pedir desculpa pela precipitação errática feita na Assembleia da República, perante os eleitos do povo. Reescrevo o que neste mesmo espaço publiquei há cerca de um mês: Não interessa a ninguém, muito menos à Região, alimentar contenciosos com a República. Não interessa saber quem consegue gritar mais alto. Interessa, sim, resolver os dossiers pendentes a bem da população. Que tanto um lado como outro saiba discernir entre o que são as questões do Estado, institucionais, e o que são as questões de índole partidária. Todos sabemos que já foi dado o pontapé de partida para as eleições de 2019, mas até lá há assuntos fundamentais que têm de ser solucionados. Isso é o que de facto importa. O resto é ruído e entretenimento.

3. Alberto João Jardim vai ser condecorado no próximo dia 1 de Junho, nas comemorações que vão ter lugar no Porto Santo. O político que esteve 37 anos aos comandos do governo vai receber a mais alta distinção autonómica. Se a notícia não surpreende pelos motivos que estão na base da sua atribuição – Jardim foi sucessivamente reeleito para o cargo e foi protagonista de um tempo autonómico – o momento em que tal acontece levanta interrogações. Por que motivo Miguel Albuquerque quer fazê-lo este ano? Estamos a um ano das eleições legislativas regionais, as mais difíceis para o PSD-M, devido a circunstâncias sobejamente conhecidas. Com esta decisão, o actual presidente do partido, criticado na praça pública pelo antecessor por quase todas as razões e mais alguma, mostra que o quer manter por perto, com o objectivo de serenar internamente o PSD-M. Conseguirá segurá-lo dentro de muros?

Roberto Ferreira