O trigo e o joio

13 Mai 2018 / 02:00 H.

A semana foi fértil em muitos acontecimentos, uns pseudo-assuntos, que não acrescentam uma centésima de felicidade à vida do cidadão comum, cumpridor dos seus deveres de cidadania, outros com importância significativa.

Está confirmado: o primeiro-ministro vem à Região no próximo dia 21. Será interessante ver o que traz António Costa na bagagem, com que elementos do PS se vai encontrar e com quem vai reunir-se primeiro. Se com o presidente do Governo ou com o presidente da Câmara do Funchal. As prioridades estão elencadas e são conhecidas. Veremos se irá além de generalidades e de meias intenções. O caderno de encargos é público. A vinda do primeiro-ministro, jogos políticos à parte, é importante para qualquer região do país, e para a Madeira também. Mas o que não deixa de ser caricato foi a forma atabalhoada, uma vez mais, com que foi anunciada. Todos querem ser os emissários da desejada visita e depois gerou-se confusão e atropelos dignos de comédia cénica que em nada acrescentam à dignidade política e à importância da visita. Em frente.

Tema dominante da semana foi, ainda, o ferry que fará a ligação entre a Madeira e o continente. O Grupo Sousa vai garantir a linha e o Governo Regional vê uma das suas promessas eleitorais mais antigas cumpridas. Isto é, meia cumprida, porque afinal a operação não será nada do que estava inicialmente prevista. Os apelos não se fizeram esperar e o presidente do Governo veio a terreiro solicitar aos madeirenses que viajem de barco até ao continente. Optarão pelo trajecto marítimo em vez de uma deslocação aérea de 90 minutos, por 86 euros?

O concurso, esse, acabou com apenas um concorrente, a Empresa de Navegação Madeirense. Antes do júri ter dado o veredicto formal, a proposta, detalhada e confidencial veio a público. Governo e armador negaram responsabilidades na sua divulgação. Mas ela surgiu, para estupefacção de todas as partes. Quem forneceu a informação? Daqui para a frente será habitual tornar as propostas a concurso, públicas, violando princípios básicos do sigilo das mesmas e minando a confiança dos concorrentes?

A Câmara do Funchal denunciou com estrondo, na praça pública, o que denominou por “ataque sem paralelo” à autonomia financeira e de gestão da autarquia, o facto de a Águas e Resíduos da Madeira, empresa tutelada pelo Governo Regional, ter avançado com a execução fiscal de uma dívida de 15 milhões de euros que está, neste momento, a ser alvo de contestação judicial. A Autoridade Tributária avançou de imediato com o processo, obrigando a autarquia a prestar uma garantia de 19 milhões de euros. Na resposta o homem das finanças autárquicas, Miguel Silva Gouveia, disse que se tal acontecer a CMF poderá paralisar, deixando um alerta, pertinente, sobre o precedente, jamais utilizado, aberto pelo Governo Regional para dirimir diferendos entre entidades públicas. Importa questionar, sem retirar a razão a nenhuma das partes: sabia a AT-Madeira que este dossier estava a ser tratado na esfera judicial? O GR vai adoptar este mecanismo, en passant, daqui para a frente? E as autarquias, também? Estamos perante um acto político ou da mera reposição da legalidade, como reivindica a ARM?

101 anos depois das ‘aparições’, Fátima continua a fazer sentido para os católicos? No ‘Observatório’ (páginas 6 e 7) especialistas de diversos credos explicam o fenómeno, que para muitos é cada vez mais marketing do que religião.

Roberto Ferreira
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