O estado de menorização

23 Jul 2017 / 02:00 H.

O ‘Estado da Região’ não é o que se debate no Parlamento, incompreensivelmente em mais do dobro do tempo que a República precisa para dizer umas verdades. Um excesso de minutos e de estafa discursiva que podia derivar do facto do plenário só voltar em Outubro. Mas não. Numa Assembleia que se ofende com ninharias feirantes, todos acham normal que se dê palco e música a quem há muito se assumiu como candidato autárquico, municipalizando argumentos, sem ser educadamente mandado para a freguesia a que concorre. Ou que se conceda asilo político e salário a quem, em trânsito, não sabe o que representa para o eleitorado.

O ‘Estado da Região’ é bem mais medonho do que o vazio de ideias e a redundância legislativa, redigida por vezes em proveito próprio, mesmo que os alienados, sem soluções para a pobreza descarada e para os atentados permanentes à saúde, tenham alguma lucidez momentânea. Sobretudo quando se ausentam, não contribuindo assim para o desprestígio, em que se troca a vil campanha doméstica pelo escrutínio de um poder populista.

O ‘Estado da Região’ é a menorização da cidadania, visível na forma como alguns dos disponíveis são inscritos em listas para que a partidocracia receba uns trocos e tenha tempo de antena e depois humilhantemente mandados para debates e entrevistas sem lhes ser dada a mínima preparação.

É a iliteracia dos que se habituaram a tresler, mesmo que os factos sejam minuciosamente desenhados.

É ter na administração pública dinheiro para contratar vedetas do Estado e não dar oportunidade à competência local.

São os ímpetos de censura, ora envernizada com tiques bem falantes, ora segredada para denegrir os diferentes e comprometer a liberdade de expressão.

É a ameaça despudorada a quem, por imperativos deontológicos e pacto com o rigor, exerce o contraditório e assim dá trunfos aos que se precipitam nas manobras de antecipação destinadas ao branqueamento das ligações perigosas.

É o ‘sem palavra’ galopante, cognome aplicável aos que comprovadamente traíram promessas e compromissos que ofereceram a incautos.

É ainda termos nadadores que salvam vidas aos quais são pagos uns míseros 2,99 euros à hora.

É a ignorância atrevida demonstrada em serviços públicos vitais para a sociedade.

É a farsa, a apetência pelo desrespeito institucional por parte de quem reclama honra mas mais deve à lisura e à boa educação. É a tribo dos que mastigam enquanto falam ou dos que cospem ingratidão.

Ricardo Miguel Oliveira
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