Novo caminho com uma receita antiga

22 Out 2017 / 02:00 H.

1. Tomou posse um novo Governo, sexta-feira, com velhas caras conhecidas, repescadas aqui e ali, num puzzle que traz à memória outra época. O presidente é o mesmo bem como a maioria dos secretários, mas as mexidas introduzidas por Miguel Albuquerque em três sectores fundamentais do eixo governativo, sugerem um novo rumo. Para que direcção? Em primeiro lugar vai ao encontro de uma receita antiga, que costuma resultar e, até, render votos: a aposta nas obras públicas. Aguardemos.

Saíram três titulares (Sérgio Marques, Rui Gonçalves e Eduardo Jesus) de pastas de peso e entraram novos protagonistas. Surpresas? Apenas uma: Paula Cabaço, no Turismo e Cultura. Depois de há um ano ter sido corrida, com reprimenda pública, regressou pela mão do mesmo presidente-castigador.

A semana foi fértil em notícias sobre quem entra, quem sai e essencialmente, quem está de regresso. E regressam muitos, proscritos, esquecidos, relegados pela “Renovação” a uma prateleira secundária. Directores regionais despachados ingressam em gabinetes, como adjuntos ou assessores, nas mesmas áreas de que foram dispensados no dia anterior. Confuso? No mínimo eticamente questionável.

Esta remodelação traz uma alteração orgânica do Executivo que custa a encaixar. Mistura-se a Administração da Justiça e os Assuntos Parlamentares com a Educação, acrescentando-lhe as Comunidades, para além do questionável casamento entre Economia, Finanças e Transportes. Parece tudo caldeado, sem fio condutor e convincente de que tudo foi programado ao detalhe. As críticas fazem-se sentir e podem, infelizmente, encaixar no que diz o povo anónimo: “Os políticos não passam de um grupo de amigos, preocupados em gerir os seus interesses”.

A oportunidade de ser criada uma nova fase, consistente e baseada no “arejamento democrático”, apregoado por Miguel Albuquerque, quando venceu o PSD/M à turba jardinista, parece ter esmorecido. Estará em modo ‘pause’. Os sinais emitidos pelos eleitores nas autárquicas de 1 de Outubro deveriam ter sido levados em outra linha de conta. A receita a aplicar pelo Governo até 2019 está escolhida: fazer obra, mostrar obra. Vai constituir um exercício interessante ver o Orçamento Regional para 2018 e 2019, da autoria do vice-presidente Pedro Calado, homem regressado de uma empresa privada. A aposta é no betão? Haverá interesse político na reposição do diferencial fiscal na Região? Ou o tempo será gasto em culpar o Governo de Lisboa de todos os nossos males, quando uma dificuldade surgir? Cabe apenas ao novo governo, que mantém a legitimidade conferida pelo voto popular, de demonstrar que os receios de muitos são infundados e que tudo vai funcionar a bem da população.

2. Tomou posse para um segundo mandato na Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo. Reeleito com maioria absoluta, ficou com um problema em mãos. O PSD conquistou a Assembleia Municipal, podendo complicar a vida à ‘Confiança’ na viabilização de dossiers determinantes, como o orçamento camarário ou o Plano Director Municipal. A AD funchalense funcionou. Cafôfo vai ter de despender mais energia do que esperava e negociar com Rubina Leal, que não lhe vai facilitar a tarefa.

Estar-se-á a ensaiar um novo cenário na política madeirense, tendo 2019 como pano de fundo? Aliança de direita contra coligação de esquerda?

Roberto Ferreira
Outras Notícias