Homicídios

27 Ago 2017 / 02:00 H.

1. Oito pessoas morreram, desde Janeiro, às mãos de homicidas, movidos por mórbidas intenções, aqui, numa região que se diz também de ‘brandos costumes’. Oito vítimas que deveriam estar vivas.

Não pereceram na sequência de nenhuma doença, nem devido a qualquer acidente rodoviário. Foram assassinadas por indivíduos perturbados, cujo móbil residiu no ciúme, na ganância (dinheiro, sempre o dinheiro) ou noutro desprezível factor qualquer, que choca pela futilidade das razões invocadas. Maior parte das vítimas são mulheres e a barbárie ocorre em ambiente familiar.

E ao contrário dos que muitos creem os crimes cometidos por inimputáveis são residuais. Existem sim pessoas com comportamentos desviantes, com personalidades agressivas e com histórico de condutas sociais problemáticas.

Numa ilha onde as hipóteses de fuga são quase nulas, os números de homicídios são significativos, para não mencionarmos os números provenientes da violência doméstica, um autêntico cancro que se perpetua na nossa sociedade.

O problema dos homicídios tem de ser encarado e tratado de outra forma. Se é certo de que continuarão a existir, mesmo que se coloque um polícia em cada esquina da Região, não nos podemos distanciar do problema.

O quadro legal tem de ser mais penalizador? Deve haver uma aposta abrangente em campanhas de sensibilização? É chegado ao momento do poder político, dos magistrados, dos juristas, dos profissionais de saúde mental e dos professores se lançarem na discussão e tratarem do assunto com a prioridade merecida. Que se acabe com a passividade tipicamente portuguesa neste campo. A violência seja ela qual for nunca poderá ser legitimada.

2. E, de repente a queda do carvalho no Largo da Fonte pôs todos a falar das árvores urbanas, dos cuidados (in)existentes, das espécies mais adequadas e seguras. Quem não se lembra das polémicas públicas movidas por especialistas e pseudo-especialistas sobre a poda das árvores no centro do Funchal, há duas décadas atrás? A intervenção camarária na remoção de galhos era acompanhada por protestos veementes, quase histéricos, de ecologistas e afins.

Há quem afirme que não se faz intervenção em locais repletos de árvores há mais de uma dezena de anos.

Infelizmente, a tragédia no Monte veio trazer para a agenda do dia a urgência de existir uma prática de acompanhamento e fiscalização às árvores existentes nos espaços públicos, porque como se viu, algo está a falhar e a prova disso mesmo aconteceu a 15 de Agosto. Não deve haver julgamentos apressados, nem culpados sob pressão, mas urge saber o que de facto se passou e de que forma, no futuro, situações semelhantes não voltem a acontecer.

Roberto Ferreira