A piadinha de Lacerda Machado

03 Dez 2017 / 02:00 H.

Um administrador não executivo da TAP achou de bolsar o que lhe ia na alma sobre os portugueses que vivem a 900 quilómetros da metrópole, onde ele, administrador, vive e trabalha. Vai daí e a 11 mil quilómetros de distância, em Macau, no congresso dos agentes de viagens, proclamou que as queixas apresentadas pelos madeirenses contra os valores pornográficos praticados pela TAP numa rota de 1h30 são uma espécie de “entretenimento” local em três épocas do ano. Considerou Diogo Lacerda Machado, homem de negócios vários, compadre e amigo predilecto do primeiro-ministro António Costa e que trabalhou em Macau durante a administração portuguesa do território, injustas as críticas lançadas à TAP por parte dos madeirenses, uma vez que “não os vejo queixar-se da easyJet, que também carrega nas tarifas quando a procura ultrapassa largamente a oferta”. O administrador não executivo colocou nas respostas dadas ao DIÁRIO duas notas relevantes. 1.ª: A TAP, que é participada pelo Estado português, não leva a sério a opinião dos passageiros da Madeira sobre o preço das tarifas. Têm de comer e calar. 2.ª: Confirmou o que se comenta há muito. TAP e easyJet andam mano-a-mano nos valores repercutidos nas tarifas, numa eventual prática concertada. Basta uma simples simulação nos sites das companhias para uma determinada data, para constatarmos que os valores pouco variam. Mera coincidência, decerto.

Lacerda Machado, que disse o que lhe passou pela cabeça sobre um tema determinante para quem vive no arquipélago, tentou emendar a mão e três dias após a publicação da notícia no DIÁRIO, veio a público afirmar que não quis manifestar nenhuma “desconsideração. Entretanto, noutra coincidência, um jornal do continente já tinha replicado o teor das suas infelizes declarações.

Numa altura em que se trabalha na revisão do modelo de mobilidade é deplorável que um administrador não executivo verbalize este género de considerandos, que podem não vincular o Estado nem a administração da TAP (?) mas põe a nu o que parte dessa administração (mesmo sendo Lacerda Machado não executivo) pensa sobre a rota da Madeira. A TAP não comentou as suas declarações. Calou e consentiu, portanto.

Como se aproxima a época natalícia, uma das tais em que todos elegemos a companhia aérea portuguesa como alvo de brincadeirinha, convinha o sr. Lacerda Machado saber que, numa simulação efectuada no ‘Skyscanner’, a 30 de Novembro, é mais barato fazer uma deslocação Lisboa-Macau-Lisboa do que Lisboa-Funchal-Lisboa, com partida a 21 de Dezembro e regresso a 1 de Janeiro! Tanto para um lado como para outro o passageiro vai desembolsar uns módicos oitocentos e tal euros. Para os interessados lembro que a viagem ao oriente é de longo curso e contempla duas escalas. Como explica este “entretenimento” verdadeiro?

P.S.: O Orçamento da Região para 2018 tem gerado um coro de críticas. Para além da oposição, o que é normal, também Cristina Pedra, presidente da ACIF veio a público dizer que é de dar um “foguete” por não haver agravamento de impostos, mas que as medidas plasmadas no documento não são suficientes para atrair empresas de fora, ao reduzir o IRC para as PME em um ponto percentual.

No plano das famílias pouco se fez. O diferencial fiscal passou a ser uma miragem e a folga que se possa fazer sentir na classe média será por via do alargamento dos escalões do IRS, imposto pelo Governo da República.

Roberto Ferreira
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