2018 – antecâmara do combate Albuquerque-Cafôfo

31 Dez 2017 / 02:00 H.

‘Rei morto, rei posto’. 2017 está a acabar e 2018 quase a nascer. Em primeiro lugar, que o novo ano seja essencialmente de saúde e de paz para todos os que fazem o favor de acompanhar o nosso trabalho DIÁRIO, em prol de uma informação esclarecida, incómoda e imparcial.

Um novo ano acarreta expectativas, particularmente para os optimistas militantes, para os inconformados e para todos os que teimam em fazer da esperança um sentimento de que tudo possa melhorar. Fechado um ciclo, marcado, em grande parte, pelas eleições autárquicas, abre-se um novo, sem eleições no calendário.

Em 2018 a Madeira vai continuar a deparar-se com muitas e importantes questões, que podem condicionar a vida dos que cá vivem e trabalham. Vamos por partes.

A questão da revisão do modelo do subsídio de mobilidade começa a ter ‘barbas’, mas permanecerá na agenda. Entre grupos de trabalho, ameaças de companhias aéreas, aguarda-se a resolução da questão técnica, como classificou o presidente do Governo, para simplificar um processo actualmente oneroso e burocrático para o residente.

Na questão do ferry deverá haver ligação ao continente apenas no Verão, uma vez que por 3 milhões de euros/ano nenhum armador quis pegar na operação o ano inteiro.

A nível fiscal, o que está contemplado no Orçamento da Região é uma baixa de um ponto percentual no IRC para as PME e um pequeno alívio no primeiro escalão do IRS. Dois sinais com vista para 2019. Já lá vamos. O resto mantém-se igual e em linha com as decisões tomadas, nesta área, pelo Governo da República. Novidades dignas de registo só no Orçamento para 2019, ano de eleições regionais e de piscar de olho com mais intensidade ao povo eleitor.

A nível político, o ano começa com as eleições no PS/M. Emanuel Câmara conseguirá vencer Carlos Pereira, com o trunfo chamado Paulo Cafôfo debaixo do braço? Se sim, o actual presidente da CMF vai se lançar a sério na luta pela cadeira do poder, na Quinta Vigia, deixando a gestão da autarquia para o seu número 2, Miguel Silva Gouveia. Caso Câmara não vença, os seus apoiantes laborarão numa alternativa que permita a Cafôfo se apresentar de novo a votos em 2019 para disputar uma luta renhida com Miguel Albuquerque, o cargo de presidente do GR. Está escrito nas estrelas.

A segunda força partidária na Região – o CDS – vai escolher uma nova liderança que recentre o partido e lhe confira uma postura mais dinâmica, ganhadora e menos enfadonha. Que senhor se segue? Rui Barreto está com vontade, mas o antigo e carismático presidente José Manuel Rodrigues é o homem que vai decidir o futuro do partido.

No PSD tudo se conjuga – e tudo está a ser feito pelo núcleo duro – para o reforço da liderança de Miguel Albuquerque. Sem nenhum adversário declarado há muitos militantes destacados que criticam a postura do líder e depois, depois há Jardim que agita influências e incomoda com os recados quase diários, e as convulsões dispersas nas estruturas concelhias. O secretário-geral Rui Abreu terá mestria para manter as hostes dentro das fileiras? 2018 será o ano da conclusão de algumas obras públicas, que vão garantir a presença assídua Albuquerque na televisão e nos jornais. Será suficiente para a antecâmara do combate previsível com Cafôfo?

O vice-presidente, Pedro Calado, carregador do “piano” da governação terá um papel fulcral durante o ano que se inicia amanhã. É por ele que passa o grosso dos dossiers fundamentais e os contactos com o Governo de Lisboa, que tem a chave do cofre. Calado diz, cá dentro, que é necessário falar alto com os senhores do Terreiro do Paço, mas vai necessitar de muita diplomacia para convencer o governo central da bondade e da justeza das reivindicações regionais, que são algumas e relevantes, e que passam pelo pagamento dos milhões em dívida dos subsistemas de saúde até à diminuição da taxa de juro cobrada pela República à Madeira, no empréstimo concedido no âmbito do PAEF. Culpar apenas uma parte não resolve os problemas. Pedro Calado sabe disso. Que tenha clarividência e assertividade quanto à prioridade das questões da governação.

Pode alguém prever com precisão absoluta o que vai acontecer em 2018? Não, por mais poderes ocultos que possua. Mas uma coisa pode e deve acontecer: que não se repitam os mesmos erros, efectuados este ano, no melhor destino insular do Mundo.

Votos de um excelente ano novo.

Roberto Ferreira
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