2018 - O Ano do Património Cultural Europeu

Temos condições para mostrar que na Madeira existem Pessoas fantásticas

03 Jan 2018 / 02:00 H.

Desejo a todas as Pessoas que me estão a ler um ano de acordo com os seus objetivos, com muita saúde e muita paz.

Começar o ano a escrever não é fácil, sobretudo depois de ler tantos balanços, tantas análises, tantas expetativas, tantas promessas, que agora é que é, que agora é que vai acontecer, que agora é que tudo vai mudar, etc, etc... Podia fazer a mesma coisa? Podia, mas depois de tanta coisa dita, e escrita, já não era a mesma coisa.

Desde pequena sempre ouvi dizer que promessas, leve-as o vento. Isso mesmo. É que estou farta ouvir tanta promessa para depois voltar o calendário das rotinas habituais onde nada muda e volta tudo ao mesmo.

Desejo sinceramente que o calendário cultural desta Terra, que amo tanto, tenha em conta que este ano foi declarado como o ano do Património Cultural na Europa. Valia a pena sair um pouco da rotina dos cortejos e festivais de sempre, do carnaval, do Colombo que desembarca no Porto Santo, do medieval que descobre Machico, dos festivais de verão, nos mesmos lugares e nas mesmas ruas, das festas dos Santos e Santas, com os mesmos comes e bebes, dos concertos pagos num Parque Público, etc, etc...

Gostaria muito que fosse dada oportunidade a Todos e Todas os/as artistas para mostrarem as suas artes por todo o lado. Que a Madeira mostre à Europa que não é só comercial para quem gosta. Há tanta coisa para mostrar. Há tanta coisa para ser feita. Basta existir boa vontade de quem decide estas coisas. Oportunidades terão que ser criadas e projetos têm que ser apresentados, mas acho que valia a pena fazer coisas diferentes criando as oportunidades para que as mesmas aconteçam.

Temos condições para mostrar que na Madeira existem Pessoas fantásticas. Que fazem coisas fantásticas. A cultura é muito vasta e não precisa de elitismos. Há para todos os gostos. É diversa. Abarca muitas áreas e muitos estilos. Desde quem pinta quadros, desenha ou faz grafitis, quem faz artesanato, seja tradicional ou urbano, quem escreve pequenos ou grandes livros, quem faz pequenas ou grandes peças de teatro, quem canta, sendo profissional ou apenas amador, quem dança música clássica ou moderna, quem conta histórias, seja de forma oral ou outra, quem faz mais isto ou aquilo que nos pode mostrar e sentir-se feliz.

Estas pessoas fantásticas não precisam de mostrar o “selo de qualidade” para sentirem-se participantes desta Europa que precisa urgentemente deste cheiro de povo inteligente que não precisa de passar no crivo dos burocratas que mandam nela.

Atenção artistas, há muita disponibilidade financeira para fazer coisas. Procurem informar-se. Exijam ser parte do Património Cultural da vossa Terra. Não deixem que sejam os mesmos do costume a usufruir, combatam os elitismos que reinam nesta Terra... Tenham uma posição pró ativa e não fiquem à espera porque do céu só cai a chuva e, mesmo assim, esta já rareia.

Guida Vieira

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