Turquia anuncia reunião com representantes dos EUA para resolver crise dos vistos

12 Out 2017 / 11:21 H.

O Governo turco anunciou hoje uma reunião com representantes dos Estados Unidos para tentar resolver a crise aberta pelas ordens de detenção contra funcionários da Embaixada norte-americana na Turquia e consequente suspensão mútua da emissão de vistos.

“Decidiu-se que representantes dos dois países irão reunir-se e trabalhar sobre este assunto. Os representantes vão encontrar-se nos próximos dias e darão os passos necessários para conseguir resultados”, anunciou hoje o vice-primeiro-ministro turco, Bekir Bozdag.

Bozdag recordou que os ministros dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlüt Çavusoglu, e norte-americano, Rex Tillerson, mantiveram na quarta-feira uma conversa telefónica, que descreveu como “construtiva e recíproca”, para abordar a crise.

O Departamento de Estado norte-americano indicou que, durante essa conversa, Tillerson mostrou “a sua profunda preocupação com as detenções de empregados nacionais turcos” nas suas missões diplomáticas na Turquia, assim como de vários cidadãos norte-americanos.

Além disso, “enfatizou a importância da transparência nas acusações feitas pelo Governo turco e a necessidade de apresentar provas dessas acusações”.

A Turquia deteve ou emitiu ordens de detenção contra dois empregados das delegações diplomáticas dos EUA no país euro-asiático, acusados de ligações ao clérigo Fethullah Gülen (ex-aliado do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e atualmente exilado em território norte-americano), a quem Ancara atribui a tentativa de golpe de Estado de julho de 2016.

Em resposta, os Estados Unidos suspenderam no domingo passado os serviços de emissão de vistos norte-americanos na Turquia e Ancara reagiu com uma medida semelhante e também suspendeu a emissão de vistos para os cidadãos norte-americanos.

Esta “crise dos vistos” entre Ancara e Washington surge após meses de uma crescente tensão entre os dois países no seio da NATO, em parte por causa de visões discordantes sobre a guerra na Síria e de vários processos judiciais nos Estados Unidos que envolvem nomeadamente elementos da segurança do Presidente Recep Tayyip Erdogan e um ex-ministro turco.

Também a agravar o mal-estar entre os dois países aliados está a exigência da Turquia, até hoje sem sucesso, da extradição de Fethullah Gülen, que está exilado nos Estados Unidos desde finais da década de 1990.