Trump vai autorizar divulgação de relatório sobre abusos de investigação do FBI

01 Fev 2018 / 22:20 H.

O Presidente norte-americano dará, “provavelmente na sexta-feira”, ao Congresso o seu aval para a divulgação de um relatório republicano que descreve alegados abusos na investigação sobre a conspiração russa, apesar das advertências da polícia federal (FBI).

Assim o indicou um alto responsável do Governo de Donald Trump, sob anonimato, aos jornalistas que viajavam no avião presidencial do estado da Virgínia Ocidental para Washington DC.

Trump tomou a decisão de autorizar a divulgação do memorando depois de um processo de revisão do seu conteúdo na Casa Branca, destinado a assegurar que “não revela demasiadas coisas, em termos de informação secreta”, explicou a fonte.

“Ao Presidente, parece-lhe bem [publicá-lo]. Não creio que vá haver passagens censuradas”, afirmou o responsável, dizendo que assim que Trump informar os legisladores da sua opinião, o memorando “estará nas mãos do Congresso”.

A Comissão de Serviços Secretos da Câmara dos Representantes votou na segunda-feira a favor da publicação do relatório e deu à Casa Branca cinco dias para decidir se permitia ou bloqueava a respetiva divulgação.

O FBI expressou na quarta-feira, em comunicado, “sérias preocupações” com os planos da Casa Branca de permitir que o relatório fosse tornado público e alertou que o documento contém algumas “omissões de factos materiais” que poderão comprometer a sua “exatidão”.

O texto foi redigido pelo gabinete do congressista republicano Devin Nunes, um aliado de Trump, que supostamente entregou ao Presidente uma versão “secretamente alterada” do memorando republicano, com “alterações substanciais”, denunciou na quarta-feira o congressista democrata Adam Schiff.

A líder democrata da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, pediu hoje ao presidente daquele órgão legislativo, o republicano Paul Ryan, que retire Devin Nunes da presidência da Comissão de Serviços Secretos, devido às suas presumíveis modificações do documento.

Segundo vários meios de comunicação, o relatório secreto alega que o ex-espião britânico que escreveu um famoso dossier cheio de pormenores sórdidos sobre Trump, Christopher Steele, deu informações erradas ao FBI.

Com base nessa informação, na primavera de 2017, o FBI decidiu aumentar as suas atividades de vigilância sobre Carter Page, que até setembro de 2016 assessorou a equipa da campanha presidencial de Trump em matéria de política externa, por suspeitar de que era um agente russo.

Rod Rosenstein, o “número dois” do Departamento de Justiça norte-americano, que tinha autoridade sobre a investigação da polícia federal acerca da ingerência russa nas presidenciais dos Estados Unidos, pediu então a um juiz para fazer essa espionagem.

O memorando republicano acusa Rosenstein e o FBI, de acordo com a imprensa, de não terem informado corretamente o juiz que autorizou a operação de vigilância sobre os motivos para pedi-la.

A oposição democrata teme que o Presidente use o relatório como uma desculpa para demitir Rosenstein e, posteriormente, o próprio procurador do ministério público que está a investigar o caso da conspiração russa, Robert Mueller.

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