Separatistas da Catalunha convocam grande manifestação para defender independência

06 Set 2018 / 12:12 H.

Os movimentos separatistas catalães querem reunir um milhão de pessoas em Barcelona na próxima terça-feira, no Dia da Catalunha, para mostrarem que o objetivo de independência desta região espanhola está mais vivo do que nunca.

“Estamos à espera de um milhão de pessoas” nas principais avenidas no centro de Barcelona que vão “pedir a independência da Catalunha”, disse hoje em Madrid a presidente da Assembleia Nacional Catalã (ANC), Elisenda Paluzie, a um grupo de jornalistas estrangeiros, entre eles um da agência Lusa.

A ANC é a mais importante organização cívica catalã que defende a autodeterminação da região e anualmente organiza uma grande manifestação, a 11 de setembro, na “Diada”, como é conhecido o dia que assinala a conquista de Barcelona pelo rei de Espanha Filipe V em 1714, depois de um cerco de 14 meses.

“Diada pela República” é este ano o tema da manifestação, que é utilizada anualmente para defender a causa da independência com imagens que passam em todas as televisões do mundo de uma concentração ordeira e de grandes dimensões.

“Vamos regressar ao objetivo político de criação da República”, depois de termos estado mais concentrados “no pedido de libertação dos presos políticos”, explicou Elisenda Paluzie.

Os independentistas consideram que os detidos em prisões espanholas pelo seu envolvimento na tentativa de autodeterminação da Catalunha são “presos políticos”.

A presidente da ANC defendeu a necessidade de se “continuar a avançar na via unilateral” e desvalorizou o atual diálogo bilateral entre o executivo regional (Generalitat) e o Governo espanhol.

“As atuais reuniões bilaterais são muito de fachada”, com “palavras vazias e propostas que não são realistas”, considerou Elisenda Paluzie.

O atual primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, que chegou a o poder em junho passado, tem tido uma atitude mais dialogante com os separatistas do que o seu antecessor, o conservador Mariano Rajoy.

Mas a sua proposta, feita no início desta semana, de organizar um referendo na Catalunha para aumentar os poderes autonómicos da região já foi recusada pelos principais dirigentes separatistas, que continuam a defender a realização de um referendo de autodeterminação.

“De momento não vemos alteração do discurso político” do Estado espanhol, disse a presidente da ANC, acrescentando: “quanto ao tema central da libertação dos presos políticos, também não vemos avanços”.

Os independentistas reclamam há muito tempo um referendo sobre a independência da Catalunha, em moldes semelhantes aos que foram realizados no Quebec (Canadá) ou na Escócia (Reino Unido).

O processo de independência da Catalunha foi interrompido em 27 de outubro de 2017, quando o Governo central espanhol decidiu intervir na Comunidade Autónoma na sequência da realização de um referendo de autodeterminação organizado pelo executivo regional independentista em 01 de outubro do mesmo ano e que foi considerado ilegal.

As eleições regionais, que se realizaram a 21 de dezembro, voltaram a ser ganhas pelos partidos separatistas.

Nove dirigentes separatistas estão presos à espera de julgamento por delitos de rebelião, sedição e/ou peculato pelo seu envolvimento na tentativa falhada em 2017 de separar a Catalunha da Espanha.

O principal líder independentista, o ex-presidente da Generalitat Carles Puigdemont, vive exilado na Bélgica, depois de a Justiça espanhola não ter conseguido a sua extradição da Alemanha, para ser julgado por crime de rebelião.

O conflito entre Madrid e a região mais rica de Espanha, com cerca de 7,5 milhões de habitantes, uma dimensão de um terço da área de Portugal, uma língua e culturas próprias, arrasta-se há várias décadas.

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