Semana de 28 horas acordada com condições no setor metalúrgico da Alemanha

06 Fev 2018 / 09:18 H.

Os trabalhadores do setor metalúrgico alemão vão ter direito a reduzir o seu tempo de trabalho para 28 horas por semana, embora sem compensação salarial e por um período limitado, segundo um acordo hoje anunciado.

A federação dos trabalhadores do setor, que inclui nomeadamente a indústria automóvel, falou, em comunicado, de um “compromisso suportável” mas contendo “elementos dolorosos”.

O acordo foi concluído após semanas de negociações e em paralelo com paralisações nas fábricas, convocadas pelo sindicato do setor IG Metall, para defender as suas reivindicações, que se prendiam, por exemplo, com mais flexibilidade para os trabalhadores na definição do respetivo tempo de trabalho.

Neste último ponto, obtiveram uma grande abertura e uma vitória simbólica, com a generalização do direito ao horário parcial de 28 horas por semana.

Doravante, os trabalhadores do setor com pelo menos dois anos de serviço na empresa poderão pedir para beneficiar desta redução do horário de trabalho por um período entre seis e 24 meses, no final do qual têm a garantia de poder reocupar o seu lugar a tempo inteiro.

Trata-se de um avanço para o sindicato do setor IG Metall, apesar de este não ter conseguido satisfazer outra das suas reivindicações de base: que os trabalhadores em causa beneficiem, ao mesmo tempo, de uma compensação financeira parcial paga pelo empregador para lhes completar o salário.

“Isso (o horário semanal de 28 horas) vai ajudar os trabalhadores a melhor coordenarem vida profissional e vida pessoal”, sublinhou a federação patronal do setor em comunicado.

E “com esta solução, conseguimos que a reivindicação inicial da IG Metall, de uma compensação financeira” pelo horário parcial “não fosse alcançada”, acrescentou.

O patronato também obteve, em troca, mais flexibilidade para aumentar o tempo de trabalho para 40 horas semanais aos trabalhadores que o desejarem, em vez das 35 horas, em média, dos horários no setor.

O acordo, que inclui também uma cláusula sobre aumentos salariais, foi concluído numa primeira fase pelos representantes dos empregadores da metalurgia e da IG Metall na região de Bade-Wurtemberg, no sudoeste da Alemanha.

Esta região, onde se situam muitas construtoras automóveis, tem, contudo, valor de zona-piloto para o conjunto do setor, que deverá assinar o documento nos próximos dias.

Além disso, os acordos no setor metalúrgico alemão têm historicamente um valor indicativo para o conjunto da economia alemã, numa altura em que muitos setores, incluindo os serviços e a função pública realizam negociações salariais.

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