Saúde global é muito mais do que uma questão da medicina

19 Abr 2018 / 15:57 H.

O presidente da Cimeira Mundial de Saúde, Detlev Ganten, afirmou hoje, em Coimbra, que trabalhar a saúde global é muito mais do que uma questão de medicina, é também de “clima, humanidades e economia”.

“Precisamos de pensar além dos nossos problemas. Precisamos de pessoas na ciência que pensem além da sua área”, defendeu hoje Detlev Ganten, na sessão de abertura do encontro regional da Cimeira Mundial de Saúde (CMS), que decorre entre hoje e sexta-feira, em Coimbra.

Para o presidente da CMS, é necessária uma abordagem transdisciplinar que agregue questões como as alterações climáticas, as ciências sociais e humanidades e a economia, envolvendo não apenas a academia, mas também a sociedade civil.

“Temos todos de trabalhar em conjunto para ter melhor saúde para 7 mil milhões de habitantes e não apenas para os países privilegiados e ricos”, vincou.

Segundo Detlev Ganten, a Cimeira Mundial de Saúde não é apenas um encontro entre peritos na área da saúde, mas uma forma de garantir que a saúde continua a estar no topo da agenda política e na discussão pública, assim como garantir que as ideias nascidas na academia têm aplicação prática.

“As ideias têm de ser traduzidas em produtos e, para isso, é preciso colaborar com o setor privado e com a indústria. Temos de manter esta interação com todos os setores”, notou.

Já o reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, alertou para a necessidade de se trabalhar, não apenas na investigação e na ciência, mas no acesso de todos às descobertas que vão sendo feitas.

“Precisamos de melhor organização na ciência, mas se já conseguíssemos levar o atual conhecimento científico a toda a gente no mundo, a situação seria muito melhor. O problema não é só a ciência que se produz, mas poder entregar esse conhecimento a todos os lugares do mundo”, alertou.

O encontro regional da Cimeira Mundial de Saúde, que começou hoje, reúne mais de 700 peritos, num evento em que o tema central é a saúde global dos países africanos.

Durante a reunião, em Coimbra, serão apresentadas comunicações por cerca de 120 oradores de mais de 40 países, distribuídos por mais de 20 sessões de trabalho e quatro sessões plenárias, que vão abordar temas como a mortalidade infantil, cuidados de saúde após conflitos armados, doenças infecciosas, alterações climáticas, medicina digital, reversão da disseminação da malária, migração e saúde e acesso a vacinas.

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