Rússia considera “irrealista” cessar-fogo da ONU que é apoiado pelos EUA

08 Fev 2018 / 20:41 H.

A Rússia considera que “irrealista” o cessar-fogo de um mês que o Conselho de Segurança das Nações Unidas, com o apoio dos Estados Unidos, poderá decidir hoje, para permitir operações humanitárias no enclave de Ghouta oriental.

“Gostávamos de ver um cessar-fogo, o fim da guerra, mas eu não sei se os terroristas estarão de acordo”, acentuou hoje o embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vassily Nebenzia.

O Conselho de Segurança deverá reunir hoje e a porta-voz do Departamento do Estado norte-americano, Heather Nauert, referiu que “os Estados Unidos apoiam o apelo da ONU em favor de um cessar-fogo de um mês”.

As tréguas seriam “para permitir a ajuda humanitária e a retirada de mais de 700 civis de Ghouta Oriental”, enclave controlado pelos rebeldes perto da capital síria, Damasco, que tem sido bombardeada pelas forças do regime de Bashar al-Assad.

“A Rússia deve usar a sua influência sobre Damasco para fazer com que o regime sírio permita imediatamente à ONU as operações de ajuda vitais para esta população extremamente vulnerável”, referiu Nauert, em comunicado.

O Departamento de Estado apelou “a todas as partes a comprometerem-se em favor de uma diminuição incondicional de violência e o acesso humanitário total, para fazer face à catástrofe humanitária criada pelos ataques brutais do regime de Bashar al-Assad nesta região”.

Os ataques aéreos e químicos contra os civis na Síria “devem cessar imediatamente”, disse Heather Nauert, em referência ao regime de Bashar al-Assad e também à Rússia, aliados dos sírios.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, mais de 210 civis morreram e centenas ficaram feridos nos bombardeamentos aéreos intensivos do regime de Damasco contra o enclave.

O apelo dos Estados Unidos teve como pano de fundo as tensões crescentes entre Damasco e Washington e, hoje, os sírios qualificaram de “crime de guerra” os ataques de quarta-feira da coligação anti-’jihadista’ apoiada pelos Estados Unidos.

Estas ofensivas provocaram pelo menos a morte de 100 combatentes pró-regime da Síria, na província de Deir Ezzor, em resposta a um ataque contra o quartel-general de uma coligação árabe-curda apoiada pelos norte-americanos.

A Síria pediu hoje ao Conselho da Segurança da ONU para condenar o “massacre” cometido pela coligação internacional anti-’jihadista’.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio enviou hoje duas mensagens endereçadas ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e ao presidente do Conselho de Segurança da ONU a manifestar a sua indignação pelo ataque aéreo, ofensiva que considerou como “uma nova agressão que representa um crime de guerra e um crime contra a humanidade”.

A presidência do Conselho de Segurança é assegurada durante o mês de fevereiro pelo Koweit.

A diplomacia síria defendeu que a ofensiva reflete “as intenções sujas dos Estados Unidos contra a soberania e a unidade territorial da Síria”.

Nas mensagens, Damasco insta os dois representantes a forçarem a coligação anti-’jihadista’ internacional a parar os atos criminosos e os ataques que tiraram a vida de milhares de civis nos últimos três anos.

Os ataques da coligação a tropas apoiadas pelo regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, são raros.

Os Estados Unidos e a Rússia, que apoiam forças rivais na província de Deir Ezzor, rica em petróleo, têm mantido contactos próximos para evitar o atrito.

Responsáveis militares russos referiram hoje que o ataque aéreo dos Estados Unidos no leste da Síria reflete tentativas de Washington para comprometer os esforços de recuperação económica daquele país em guerra.

O Ministério da Defesa russo referiu que o ataque em questão provocou 25 feridos entre os voluntários sírios pró-governamentais.

Iniciado em março de 2011 com a violenta repressão de manifestações pacíficas contra o regime de Bashar al-Assad, a guerra na Síria já fez mais de 350.000 mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de refugiados.

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