Prevalência da diabetes em adultos em África mais do que duplicou em 34 anos

14 Nov 2017 / 14:13 H.

A taxa de prevalência da diabetes na população adulta em África mais do que duplicou em 34 anos, de 3,1% em 1980 para 7% em 2014, alertou hoje a directora regional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para África.

Numa mensagem para evocar o Dia Mundial da Diabetes, que se celebra hoje, Matshidiso Moeti indicou que a OMS juntou-se à comunidade internacional para celebrar a data, que este ano se subordina ao tema “A Mulher e a Diabetes -- O Nosso Direitos a Um Futuro Mais Saudável”.

O tema, segundo Moeti, sublinha a importância do papel das mulheres na prevenção ou na gestão dos factores de risco da diabetes e no acesso aos cuidados.

Além da subida da taxa de prevalência na população africana adulta, a OMS refere que a hiperglicemia provoca 5% das mortes nas mulheres e 3,9% nos homens, tendo em conta que o excesso de peso e a obesidade são “factores de risco” da diabetes, das doenças cardiovasculares e de alguns tipos de cancro numa fase mais tardia da vida.

“A prevalência dos factores de risco da diabetes e de outras doenças não transmissíveis é mais elevada nas mulheres do que nos homens. Em 2014, estimou-se que 38,6% das mulheres acima dos 18 anos tinham excesso de peso por comparação com 22,9% dos homens. A prevalência da inatividade física nas mulheres com mais de 18 anos era de 25%, em comparação com 19% nos homens”, sublinhou Moeti.

A responsável da OMS alertou que, a nível mundial, tem ocorrido um “aumento drástico” da obesidade nas crianças e adolescentes entre os cinco e os 19 anos, passando de 11 milhões em 1975 para 124 milhões em 2016, estimando-se agora que uma em cada cinco crianças ou adolescentes tenha excesso de peso ou sofra de obesidade.

“Em África, o número de crianças que tem excesso ou é obesa praticamente duplicou desde 1990, aumentando de 5,4 milhões para 10,3 milhões. Existe uma grande probabilidade de virem a tornar-se adultos com excesso de peso ou obesos e também sofrem problemas psicossociais, tais como o ‘bullying’ e a estigmatização, que podem contribuir para o insucesso escolar”, alertou.

A prevalência crescente da obesidade e do excesso de peso deve-se, disse, a uma combinação de factores como uma alimentação desequilibrada, resultante da “agressiva” “comercialização” de alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sal, de os produtos saudáveis e nutritivos serem relativamente incomportáveis para as comunidades pobres e de uma actividade física inadequada para as crianças, adolescentes e adultos.

“Para se reduzir a prevalência, sobretudo da diabetes tipo 2, é preciso uma abordagem ao longo da vida, a começar na primeira infância e prosseguindo pela adolescência e a idade adulta”, aconselhou Moeti.

Nesse sentido, Moeti defendeu que os alimentos saudáveis e nutritivos “devem estar disponíveis em casa e nas escolas”, sobretudo para as famílias e comunidades desfavorecidas.

“As crianças e adolescentes devem ser apoiados e incentivados a praticar uma actividade física em casa e na escola, para garantir que se tornam adultos saudáveis. O excesso de peso ganho durante a gravidez também aumenta o risco da diabetes”, disse.

Segundo Moeti, os governos têm de impor “medidas corajosas” para garantir que as mulheres e meninas tenham acesso a serviços de rastreio da diabetes e a cuidados adequados, incluindo medicação e informação acerca da doença.

Por outro lado, devem incentivar o uso de telemóveis para prestar esta informação útil sobre a diabetes, bem como promover políticas que aumentem a disponibilidade de alimentos saudáveis e nutritivos, como fruta e legumes.

“Deverão ser tomadas medidas fiscais para aumentar o preço dos alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sal, de modo a reduzir o seu consumo. Deve-se promover a actividade física em todos os contextos, incluindo em casa, na escola, nas ruas e estradas das cidades, e ainda no local de trabalho”, disse.

“A OMS continuará a apoiar os esforços envidados pelos governos para aumentar a prevenção e a luta contra a diabetes e outras doenças não transmissíveis”, concluiu Moeti.

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