Pelo menos 102 manifestantes detidos no Vietname por protestos contra o Governo

11 Jun 2018 / 09:48 H.

Pelo menos 102 manifestantes foram detidos no domingo à noite durante protestos na província de Binh Thuan, sul do Vietname, contra as novas leis de cibersegurança e de criação de zonas económicas especiais.

A polícia dá conta da detenção de 102 pessoas, enquanto o portal de notícias VnExpress refere que as centenas de pessoas que se concentraram frente a um edifício da administração pública lançaram objectos contra as autoridades e incendiaram veículos do Estado.

As autoridades dispararam granadas de gás lacrimogéneo e usaram canhões de água para dispersar a multidão.

No Vietname as manifestações são proibidas pelo Governo, do Partido Comunista.

“Não há vítimas mortais, mas dezenas de polícias ficaram feridos”, disse o porta-voz da polícia, Nguyen Van Nhieu, que confirmou o número de pessoas detidas.

De acordo com a mesma fonte, a situação resolveu-se por volta da meia-noite, após a intervenção dos efectivos do Ministério da Segurança Pública.

No domingo, milhares de pessoas manifestaram-se nas principais cidades do país contra os projectos do Governo, que tenciona aprovar uma lei de cibersegurança considerada altamente restritiva.

O executivo pretende também criar zonas económicas especiais que, segundo os manifestantes, favorecem essencialmente os investidores de origem chinesa.

As detenções ocorreram sobretudo nas cidades de Hanói e em Ho Chi Minh City (antiga Saigão).

Nos últimos anos têm aumentado os protestos contra a influência da República Popular da China, sobretudo nas zonas do litoral.

Essa influência é criticada pelos dissidentes do regime comunista de Hanói.

Durante os protestos de domingo a maior parte das palavras de ordem inscritas nos cartazes empunhados pelos manifestantes eram contra a convivência de Hanói com Pequim, mas também contra a nova lei de cibersegurança que a Assembleia Nacional prevê votar na terça-feira.

Caso seja aprovada, as autoridades vietnamitas podem vir a obrigar as empresas de comunicações a ceder os dados pessoais dos utilizadores, assim como censurar os conteúdos.

A organização Amnistia Internacional já denunciou através de um comunicado que a norma vai permitir ao Governo “controlar o último espaço de liberdade de expressão do país” e pediu às empresas Apple, Facebook, Google, Microsoft e Samsung para pressionarem as autoridades para que a nova legislação não venha a ser aprovada.

Outras Notícias