Pelo menos 10.000 mortos no massacre de Tiananmen

China /
23 Dez 2017 / 10:35 H.

O massacre de Tiananmen, em Pequim, fez pelo menos 10.000 mortos, revela um arquivo britânico recentemente tornado público que relata o esmagamento do movimento estudantil pró-democracia pelo exército chinês em 04 de junho de 1989.

“Estimativa mínima de mortos civis 10.000”, concluiu então o embaixador da Grã-Bretanha, Alan Donald, num telegrama secreto enviado a Londres, documento que integra o espólio dos arquivos nacionais britânicos que foi agora, ao fim de 28 anos, tornado público.

A estimativa, facultada pelo diplomata a 05 de junho de 1989, um dia depois do massacre, é quase dez vezes maior do que os números comummente aceites à época que davam conta de um balanço que variava entre centenas e mais de mil mortos, diz a agência de notícias France-Presse que consultou o documento.

A estimativa britânica é considerada credível pelo sinólogo francês Jean-Pierre Cabestan, que recorda que os documentos confidenciais que foram desclassificados nos últimos anos nos Estados Unidos sugerem a mesma ordem de grandeza.

“Trata-se de duas fontes independentes a dizerem a mesma coisa”, sublinhou.

O balanço avançado pelo embaixador britânico “não surpreende totalmente, atendendo à multidão que havia em Pequim, ao número de pessoas mobilizadas” contra o governo chinês, sustentou o sinólogo da Universidade Baptista de Hong Kong, que se encontrava na capital chinesa nos dias que antecederam a repressão.

O telegrama de Alan Donald faculta um testemunho aterrador da violência que estalou da noite de 03 para 04 de junho, quando o exército entrou em Pequim para pôr termo a sete semanas de protestos pacíficos na gigantesca praça de Tiananmen, coração simbólico do poder comunista.

Blindados de transporte de tropas “abriram fogo contra a multidão (...) antes de avançar sobre ela”, escreveu o diplomata, citando uma pessoa, cujo nome está escondido, que obtivera informações a partir de um “amigo próximo, atual membro do Conselho de Estado” chinês.

Quando os militares chegaram a Tiananmen, “os estudantes ficaram a saber que tinham uma hora para se retirar, mas apenas cinco minutos depois os tanques atacaram-nos”, reportou Alan Donald, afirmando que os manifestantes foram dizimados.

O regime chinês, que impõe um tabu sobre este período, confirmou, por seu lado, no final de junho de 1989, que a repressão de “tumultos contrarrevolucionários” fez 200 mortos entre civis e “várias dezenas” do lado das forças de segurança.

Todos os anos, por ocasião do aniversário do massacre de Tiananmen, surgem apelos, nomeadamente por parte dos Estados Unidos, para que a China realize uma contagem oficial das vítimas e liberte aqueles que ainda cumprem condenações pelos incidentes e o fim da perseguição e detenção de quem pretende assinalar pacificamente a trágica data.

Hong Kong figura como o único local da China, a par também da Região Administrativa Especial de Macau, onde a efeméride é abertamente assinalada anualmente.

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