Papa anuncia Sínodo extraordinário sobre a Amazónia e povos indígenas em 2019

16 Out 2017 / 05:42 H.

O papa Francisco anunciou ontem a realização, em outubro de 2019, de um Sínodo extraordinário para abordar os problemas da região da Amazónia, na América do Sul, e especialmente dos povos indígenas.

Na Praça de São Pedro, no final de uma cerimónia de canonização de 35 novos santos, incluindo o sacerdote português Ambrósio Francisco Ferro, o papa explicou que esta assembleia de bispos nasce “do pedido de algumas Conferências Episcopais da América Latina e dos pastores e fiéis de muitas partes do mundo”.

O objetivo principal desta assembleia extraordinária, segundo Francisco, será “encontrar novos caminhos para a evangelização deste Povo de Deus, especialmente dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem perspetivas de um futuro sereno, também devido à crise da Floresta Amazónica, pulmão de capital importância para o planeta”.

O papa há muito que tinha manifestado a vontade de convocar um Sínodo para a região da Amazónia e, nas suas viagens à América Latina, sempre defendeu os direitos e a cultura dos povos indígenas, expressando a sua preocupação e a defesa da floresta.

O papa expressou, durante uma visita que recebeu em maio dos bispos peruanos, o seu desejo de visitar este país (o que acontecerá em janeiro) e de celebração de um Sínodo para os povos amazónicos.

O arcebispo de Ayacucho e presidente da Conferência Episcopal peruana, Salvador Piñeiro García-Calderón, explicou que o Sínodo se centraria sobretudo na situação da Venezuela, Colômbia, Equador, Perú, Bolívia e Brasil, que tem 13% da bacia Amazónica, onde existem zonas “de sofrimento, marginalização, muito poucos habitantes, distâncias enormes” e que isso preocupa Francisco.

Na área amazónica da América do Sul habitam 2.779.478 aborígenes pertencentes a 390 povos autóctones e 137 povos ainda não contactados, que, de acordo com o portal especializado em informação religiosa “El Sismografo”, falam 240 idiomas pertencentes 49 ramos linguísticos, entre os mais relevantes do ponto de vista histórico e cultural.

Na missa de canonização celebrada pelo papa foram canonizados ao todo 35 novos santos, incluindo Ambrósio Ferro, sacerdote português morto no Brasil em 03 de outubro de 1645 durante perseguições anticatólicas, por tropas holandesas.

Além dos mártires resultantes das perseguições na arquidiocese de Natal, entre julho e outubro de 1645 nas localidades de Cunhau e Uruaçú, foram canonizados também os mártires de Tlaxcala, três crianças indígenas mexicanas, o beato espanhol Faustino Miguez, fundador do Instituto Calasancio Filhas da Divina Pastora, e o sacerdote franciscano Luca Antonio Falcone.

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