Organização dos Estados Americanos cria grupo de trabalho sobre migração venezuelana

06 Set 2018 / 10:26 H.

A Organização de Estados Americanos (OEA) vai criar um grupo de trabalho dedicado ao tema da migração venezuelana, anunciou na quarta-feira o secretário-geral daquele organismo, Luís Almagro.

O grupo de trabalhado será dirigido pelo jornalista e presidente da Câmara Municipal de El Hatillo, David Smolansky, um dos dirigentes do partido opositor Vontade Popular.

O anúncio foi feito à margem da sessão extraordinária do Conselho Permanente da OEA, que decorreu quarta-feira em Washington e teve como tema principal a crise migratória venezuelana.

Durante a sessão, a delegação do Equador apelou ao Presidente Nicolás Maduro para realizar um diálogo sem exclusões para conseguir uma solução democrática à crise política, económica e social que afeta a Venezuela e que tem provocado a emigração de milhões de venezuelanos.

O Equador alertou ainda que o êxodo de venezuelanos não pode ser resolvido apenas por um país e precisou que mais de um milhão de venezuelanos estão radicados em território equatoriano, onde 600 mil deles entraram desde janeiro de 2018.

Por outro lado, o embaixador do Panamá, Jesus Sierra, anunciou que 72 mil venezuelanos entraram em território panamiano nos primeiros oito meses de 2018 e reiterou que o seu país está comprometido a acompanhar a situação na Venezuela, “até que a democracia seja restabelecida”.

“O Panamá tem estado a desenvolver uma estrutura nacional para atender os altos fluxos migratórios de venezuelanos”, disse, precisando que 146 mil venezuelanos solicitaram asilo político ao Panamá, dos quais 44 mil usufruem de diversas formas de proteção legal.

Nesse sentido, o embaixador do México, Jorge Lomónaco, apelou “ao Governo da Venezuela para que de maneira urgente e prioritária tome ações para dotar os seus cidadãos de documentos de identificação e viagem”.

“Apesar dos esforços dos países de destino em dar aos migrantes condições de vida adequadas, muitas destas pessoas vivem em condições irregulares, vulneráveis à exploração e extorsão”, frisou.

Fernando Simas Magalhães, embaixador do Brasil, sublinhou que o seu país tem vindo a apelar a um diálogo político, oportuno, nacional e efetivo, livre e transparente” para ajudar a Venezuela a reencontrar o caminho da paz e da justiça.

Tanto o Peru como o Paraguai insistem que a Venezuela deve permitir a abertura de um canal de ajuda humanitária internacional.

Segundo o secretário da OEA, Luís Almagro, “o êxodo em massa dos venezuelanos significa uma grande pressão para os países da região que, tendo o espírito mais solidário, têm limitações para responder adequadamente às necessidades das suas populações e dos migrantes”.

Segundo a delegação dos EUA, a situação na Venezuela não é uma catástrofe natural, é uma situação que podia ter sido prevenida.

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