Oposição quer garantias eleitorais para assinar um acordo com o governo venezuelano

07 Fev 2018 / 18:26 H.

A oposição anunciou hoje que não assinará nenhum acordo com o Governo do Presidente Nicolás Maduro, enquanto não existir um documento “digno”, com garantias eleitorais para as próximas presidenciais, que deverão ocorrer até 30 de abril.

O anúncio foi feito pelo porta-voz opositor, Júlio Borges, em Santo Domingo, na República Dominicana, onde decorrem novas negociações entre o Governo venezuelano e a oposição.

“Não se assinou um acordo porque consideramos que o que está escrito não é digno do povo venezuelano, e quero ser muito claro, porque o povo tem que ter plena confiança que nunca vamos assinar algo que não esteja à altura dos venezuelanos”, disse.

Segundo Júlio Borges a principal exigência da oposição, para assinar um acordo, é que haja garantias para a realização de eleições presidenciais em condições transparentes e justas.

“A nossa enorme responsabilidade é conseguir que todos os venezuelanos tenham o direito a eleger o seu futuro e que esse futuro seja pleno de oportunidade, progresso e justiça. Nunca vamos assinar nada que signifique menos direitos”, frisou.

Por outro lado, refutou as acusações de Jorge Rodríguez, porta-voz do Governo venezuelano nas negociações, de que os EUA teriam instruído a oposição para não assinar nenhum acordo.

“Não recebemos ordens nem dos Estados Unidos, nem de Cuba, só do povo venezuelano”, sublinhou.

O Governo venezuelano e a oposição retomaram hoje as negociações, que desde setembro de 2017 de correm na República Dominicana.

Na semana passada, após quatro dias de negociações, o Governo venezuelano anunciou que tinha assinado um pré-acordo com a oposição, situação que foi desmentida pela oposição.

O Governo venezuelano espera chegar a um acordo que permita acabar com a alegada “guerra económica no país” e leve à suspensão das sanções que os Estados Unidos e a Europa aplicaram contra altos funcionários de Caracas.

O regime espera ainda debater a soberania venezuelana e a alegada ingerência estrangeira em assuntos políticos e económicos venezuelanos.

Em cima da mesa vai estar também a criação de uma comissão de justiça e verdade sobre a violência no país, que seria convocada pela Assembleia Constituinte, organismo que a oposição considera ilegal.

O Governo pretende ainda que a Assembleia Nacional (parlamento, onde a oposição detém a maioria), aceite várias sentenças do Supremo Tribunal de Justiça, enquanto que a oposição insiste que a assembleia foi legitimamente eleita e deve ser reconhecida como tal pelo regime.

Por outro lado, a oposição insiste em conseguir garantias para a apresentação de candidatos às próximas eleições presidenciais, que foram antecipadas e deverão ter lugar até 30 de abril de 2018.

A oposição espera ainda chegar a um acordo que permita libertar os presos políticos venezuelanos e que o Governo aceda à abertura de um canal humanitário para a entrada de alimentos e medicamentos no país.

Entretanto dois dos países que acompanhavam as negociações - o México e o Chile - anunciaram, após a convocação de eleições presidenciais antecipadas, que deixavam de participar no processo.

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