OEA diz que Caracas é ameaça para a estabilidade e segurança da região

14 Nov 2017 / 08:56 H.

O secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luís Almagro, denunciou, na segunda-feira, que a Venezuela é uma ameaça para a estabilidade a segurança do continente americano.

A denúncia teve lugar numa reunião do Conselho de Segurança da ONU, para debater sobre a situação na Venezuela, durante a qual vários países pediram ao Governo venezuelano para resolver a crise humanitária no país, respeitar o Estado de Direito e libertar os presos políticos.

“[A Venezuela] É uma ameaça para a estabilidade e segurança das Américas. Causa a mais grave crise migratória do presente”, disse.

“O narcotráfico está instalado na cúpula do Governo, os sobrinhos do casal presidencial estão sendo julgados em Nova Iorque por tráfico de drogas, o vice-presidente (Tarek El Aissami) tem sido classificado como cabecilha do narcotráfico e foram-lhe congelados bens [equivalentes] a milhões de dólares e o ministro do Interior e Justiça (Néstor Reverol) tem uma acusação internacional por narcotráfico”, acrescentou.

Segundo Luís Almagro, a Venezuela “tem gerado laços com redes criminosas internacionais e grupos classificados como terroristas, entregando passaportes venezuelanos a conhecidos criminosos internacionais”, uma informação que “ninguém deve (...) ignorar”.

Por outro lado denunciou que o povo venezuelano está a ser impedido de aceder aos bens e serviços básicos, num contexto da pior crise económica, de corrupção em que os governantes contam com milionários depósitos bancários no estrangeiro, e disse que o regime “assassina, tortura, prende, censura, inabilita ou depõe autoridades eleitas pelo povo ou designados por procedimentos constitucionais”.

“O regime tem demonstrado repetidamente que o seu único interesse é usar a força e os recursos do Estado e do povo para perpetuar-se no poder e preservar privilégios, que está na disposição de usar qualquer medida para conseguir esse objetivo”, sublinhou.

Segundo Almagro, “o regime de Caracas representa uma ameaça constante à prosperidade, saúde e vida dos seus cidadãos, assim como significa um fator essencial de desestabilização social e política na região”.

“Converteu qualquer pessoa da oposição, ou crítica, em inimigo interno do Estado, recordando os piores momentos das ditaduras e guerras sujas do Cone Sul, nos anos 70 e 80. Milhares de cidadãos têm sido detidos arbitrariamente, a maioria sem julgamento, têm sido levados perante tribunais militares, atacados, espancados e torturados”, frisou.

Almagro instou a comunidade internacional a trabalhar para restaurar a democracia na Venezuela, “tomar as medidas necessárias” para atender a crise e restaurar a ordem constitucional.

“São necessárias sanções cada vez mais severas dirigidas contra o regime e contra os integrantes do regime, responsáveis por violações dos direitos humanos, ou que estejam envolvidos na criminalidade organizada transnacional, assim como contra os que têm atentado contra a democracia”, sublinhou.