NATO incapaz de contrariar agressão russa

20 Out 2017 / 20:02 H.

A NATO não consegue contrariar uma eventual agressão russa no leste, porque a sua capacidade militar se “atrofiou” desde o fim da Guerra Fria, de acordo com um relatório confidencial da aliança, revelado pela publicação alemã Der Spiegel.

“A capacidade da NATO de fornecer, a nível logístico, um reforço rápido no vasto território”, sob a responsabilidade do comando das forças aliadas na Europa (SACEUR), “atrofiou-se desde o fim da Guerra Fria”, indica o documento, a que o semanário alemão teve acesso.

Segundo o relatório, não existe “garantia suficiente que mesmo a força de reação seja capaz de reagir rapidamente e, se necessário, ao longo do tempo”.

O relatório, que será discutido em breve pelos ministros da NATO -- a que Portugal pertence -, descreve uma organização incapaz de contrariar uma possível agressão militar russa, principalmente por causa de “uma estrutura de comando escassa”, resume a Der Spiegel, num avanço da notícia que surgirá na edição de sábado.

Esta fraqueza preocupa, em particular, os países bálticos e escandinavos vizinhos da Rússia.

“Sabemos que precisamos adaptar e modernizar a aliança e as estruturas de comando”, disse o ministro da Defesa norueguês, Ine Eriksen Soreide, à revista.

A Presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, já tinha reclamado em março a criação de um importante centro de comando da NATO no seu flanco oriental, face à “ameaça crescente vinda da Rússia”.

As relações entre Moscovo e a NATO degradaram-se consideravelmente depois da anexação russa da Crimeia, em 2014, após o conflito no leste da Ucrânia, lançado por separatista pró-russos.

Em reação, os Aliados decidiram colocar as suas tropas em estado de alerta. A força de reação rápida mais que duplicou, para 40 mil homens.

A NATO também decidiu reforçar a sua presença militar a leste, enviando quatro batalhões, a partir de 2017, para a Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia.

“As forças da NATO não estavam tão bem preparadas e capazes de se instalar há décadas”, considerou uma porta-voz da Aliança, Oana Lungescu, recusando-se a comentar especificamente as notícias da Spiegel.

Os Aliados interromperam toda a cooperação prática com a Rússia, mas pretendem manter um diálogo com o Kremlin.

Neste âmbito, os embaixadores dos 29 países da NATO devem reunir-se com o seu homólogo russo, Alexandre Grouchko, na próxima quinta-feira em Bruxelas.

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