Médicos Sem Fronteiras acusam polícia da UE de violência contra crianças migrantes

Europa /
05 Out 2017 / 10:58 H.

Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) reiteraram hoje acusações contra polícias croatas, húngaros e búlgaros que, alegadamente, cometeram actos de violência contra migrantes que tentaram entrar na União Europeia, sobretudo menores de idade.

“A violência contra as crianças e os jovens que hoje tentam deixar a Sérvia é constante e ela é, na maioria dos casos, exercida por polícias nas fronteiras dos Estados-membros da União Europeia (UE)”, denunciou, num comunicado, Stéphane Moissaing, que dirige a missão dos MSF na Sérvia.

“Há mais de um ano que os nossos médicos e enfermeiros ouvem a mesma coisa, as mesmas histórias repetitivas de jovens espancados, humilhados e atacados por cães, pelo simples facto de pretenderem desesperadamente continuar o seu caminho”, denunciou o responsável humanitário.

No decurso dos seis primeiros meses deste ano, 92% das crianças e adolescentes que recorreram às clínicas móveis dos MSF contaram casos de violência física pelas autoridades fronteiriças croatas, húngaras e búlgaras, indicou a organização.

Cerca de metade (48%) destes 92% acusou as autoridades búlgaras.

Durante este período, as clínicas móveis dos MSF em Belgrado identificaram 62 casos de violência intencional na fronteira da Sérvia e da Hungria (24 na fronteira com a Croácia).

“É vergonhoso que países membros da União Europeia usem intencionalmente a violência para impedir crianças e jovens de pedir asilo à UE”, disse Moissaing.

Estes actos violentos causam “sérios danos físicos e psicológicos e deixam estas crianças ainda mais vulneráveis. Empurram-nas para os braços dos traficantes que a UE pretende combater”, acrescentou.

As organizações humanitárias como os MSF e os Médicos do Mundo denunciam regularmente os actos de violência de que são vítimas os migrantes.

Centenas de milhares de migrantes, a maior parte a fugir dos conflitos no Médio Oriente, passaram pelos Balcãs em rota para a Europa Ocidental, até ao encerramento desta rota, em Março de 2016.

Como consequência, muitos milhares estão bloqueados na Sérvia. No entanto, dezenas continuam diariamente a tentar prosseguir o caminho.

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